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sexta-feira, 11 de março de 2011

Funcionários de Santos são contaminados por mercúrio




 Pelo menos cinco funcionários da rede pública de saúde estão doentes. Prefeitura diz que vai investigar as causas da contaminação.

Pelo menos cinco funcionários da rede pública de saúde de Santos, no litoral paulista, foram contaminados por mercúrio, que é um metal pesado que pode causar problemas sérios nos rins e no cérebro. O produto estaria vazando de amalgamadores, aparelhos que misturam produtos químicos para restauração dos dentes.

“Pelo mercúrio ser de alta volatilidade, o que você inala fica retido no seu corpo”, afirmou Braz Antunes, que é presidente da Comissão de Saúde, da Câmara de Santos.

A contaminação só foi descoberta porque uma dentista da prefeitura fez exames a pedido de uma outra empresa onde ela trabalha.

O resultado mostrou que a quantidade de mercúrio no organismo da funcionária estava muito acima do que é considerado normal. Os outros funcionários das unidades básicas de saúde decidiram fazer o exame. Pelo menos cinco deles estão doentes.

A Secretaria de Saúde de Santos disse que tem conhecimento de apenas três funcionários com taxa de mercúrio elevada no sangue. Esses três, de acordo com a secretaria, estão afastados.


A Prefeitura disse ainda que vai analisar a situação de mais cinco servidores que trabalham no mesmo posto de saúde. Além disso, a secretaria disse que vai investigar como aconteceu a contaminação.


Fonte: G1

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Mercúrio em área pública contamina crianças no interior de SP


 Elas levaram para a escola bolinhas de líquido prateado que acharam em terreno perto de casa, em Rosana (SP)

Crianças de dois e três anos podem ter dano neurológico irreversível e prefeitura recebeu multa; polícia investiga


Quando Solange Antunes, 30, entrou em sua casa, viu os móveis e o chão cobertos por bolinhas de um líquido prateado que seus filhos de oito e dez anos haviam achado num terreno municipal e derramaram ao brincar.
Poucos dias depois, no final de junho, eles e os outros quatro irmãos começaram a ter febre, diarreia, vômito e irritações na pele -estavam contaminados por mercúrio.
As crianças levaram as bolinhas para a escola e ajudaram inadvertidamente a espalhar uma contaminação que expôs mais de cem pessoas no distrito Primavera, em Rosana (748 km de SP).
Dois dos seis filhos de Solange, Lorraine e Estefane, de dois e três anos, apresentaram o quadro mais grave.
Ficaram 12 dias internadas, dois meses em casa e, em setembro, foram transferidas para Presidente Prudente e depois para o Hospital das Clínicas da Unicamp, para tratamento adequado, até o último dia 2.
Elas correm risco de ter danos neurológicos irreversíveis. O mercúrio é tóxico, causa danos ao sistema nervoso e pode ser fatal, se inalado em grande quantidade.
A família também teve que deixar a casa, interditada.
O secretário municipal de Saúde, David Rodrigues, diz que, dos 130 exames de pessoas com suspeita de contato, cerca de 50 o apresentaram na urina e, dessas, 12 tiveram um nível "crítico" de mercúrio no sangue e estão intoxicadas. Alguns resultados ainda não estão prontos.

O terreno onde as crianças acharam cerca de 20 frascos -ou 1,5 kg- de mercúrio metálico numa sacola de lixo era usado como depósito de entulho pela prefeitura.
Ao procurar saber o que ocorreu, parentes encontraram seringas, luvas e outros materiais de lixo hospitalar, que não poderiam estar ali.

A área foi interditada pela Cetesb (agência ambiental de SP), que disse que o local era aberto e sem controle de acesso e aplicou multa de R$ 82.116,42 à prefeitura.

Segundo Rodrigues, a polícia investiga quem despejou os frascos no local inadequado, mas ainda não há pistas. "Pela grande quantidade, é de clínica particular."
O secretário diz que oito fiscais da Vigilância Sanitária da cidade recolhem lixo hospitalar e o encaminham para a destinação correta.

Ele afirma que foi feita uma campanha nas escolas da cidade e a prefeitura conseguiu rastrear todas as pessoas que estiveram em contato com o metal tóxico, que foram visitadas e tratadas.


Fonte: Folha de SP, 15 /10