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sexta-feira, 8 de outubro de 2010

O Olho de vidro de Kasinski.





A vilã do Caso Barão de Mauá, Cofap, teve durante anos em sua direção Abraham Kasinski. Seu império foi repassado para a Fiat. Seu passivo ambiental deixado em Mauá foi empulhado para os desprovidos.

Kasinski é mesmo daqueles que não esquecemos. Adora uma piada, uma anedota. Em novembro de 97, a Revista Veja relatou sua paixão pelas anedotas. Sua preferida é aquela do cliente que vai ao banqueiro e pede um empréstimo. O Banqueiro responde que concederia o maço desde que o cliente descobrisse qual era o seu olho de vidro. O cliente desanimado diz que é muito fácil, pois é o único olho em que se vê alguma humanidade.

Kasinski não tem olho de vidro, mas há um olhar de desprezo pelas famílias do Barão de Mauá. Atolados num mar de contaminantes, a conta de Kasinski vai brotar no Sistema Único de Saúde. O velho e bom SUS já herdou uma herança maldita com nome Shell Vila Carioca. 
 Apesar de ter o nome Carioca, essa vila se encontra em São Paulo, e seu caso é famoso no mundo inteiro.

Se Kasinski aprendeu a lição, precisa combinar a milhar e centena nas instâncias superiores, pois a fila é grande. Os olhos do SUS não são de vidro, mas Kasinski é apaixonado por piadas de mau gosto.

Edson Domingues & Paulo Rodrigues, 08/10

quinta-feira, 30 de setembro de 2010

De olho no solo sai como notícia no Diário Grande ABC

Amigos criam blog sobre áreas contaminadas

Deborah Moreira
Do Diário do Grande ABC

Movidos pelo ideal de mudar o panorama ambiental do Estado, três ambientalistas se uniram para criar um observatório social dos solos denominado De Olho no Solo. A ideia surgiu em meio a conversas de boteco e foi concretizada em formato de blog (www.deolhonosolo.blogspot.com), há um mês e meio. Com cerca de 1.300 visitas, promete incomodar empresas poluidoras.

"Não esperávamos esse volume de visitas, mas analisamos que a falta de referência sobre esse assunto está fazendo com que os interessados nos procurem. Já registramos visitas de gente de todo o País e até de fora como Estados Unidos, Cingapura, Portugal, França, Holanda, Argentina e Canadá", contou Edson Domingues, um dos integrantes do blog, que há 20 anos atua na área ambiental e estuda Antropologia.

Edson contou que a decisão de focar no tema foi a falta de uma atuação sistemática. Depois de encerradas as CPIs da Assembleia Legislativa do Estado e da Câmara Municipal de São Paulo, em 2009, que investigaram danos ambientais causados por empresas, ele e o amigo Paulo Rodrigues, 47 anos, que atuou por quase 27 no movimento que pediu a desativação do Aterro Bandeirantes, em Perus, na Capital (desde 2007 sem receber resíduos), decidiram criar o observatório.
"Contamos com apoio e colaborações de outros ambientalistas para acompanhar as contaminações e descontaminações das áreas no Estado", disse Paulo, que se forma em direito neste ano. No blog há apontamentos sobre quais são e onde estão esses locais, inclusive os que não fazem parte da lista da Cetesb (Companhia Ambiental do Estado de São Paulo) de áreas críticas contaminadas, atualizada anualmente.
"Existem regiões que não fazem parte da lista, como em Santo André e São Bernardo. Com apoio de técnicos, estamos fazendo um levantamento de toda a região do Grande ABC para saber qual a dimensão do problema", revelou Edson.

Érica Regina de Sena Silva, 36 anos, trocou a carreira de 11 anos como professora da rede pública para se dedicar às questões ambientais. "Estou trabalhando com o blog e começo a atuar em uma consultoria ambiental nos próximos dias. Temos que fazer aquilo que nos dá prazer e sentimos que somos úteis", disse Érica.

 Fonte: Jornal Diário do Grande ABC, 30/09/2010

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

A Revelação de Santo André!





Nestes 60 anos de televisão brasileira, uma figura marcante ficou gravada em nossos corações: Edson Cury. Conhecido como Bolinha manteve durante anos programa de auditório com belas dançarinas que rebolavam ao som da nova geração de cantores brasileiros. No programa Clube do Bolinha, revelaram-se talentos como Leandro e Leonardo, Alan e Aladim, e Arnaldo Antunes. Bolinha era escrachado. Gostava de usar camisas floridas exibindo sua vantajosa barriga. Bolinha ainda abria espaço para outros talentos no quadro “Eles e Elas”, onde apresentavam-se travestis, drag queens e transformistas. Era um escândalo para a época, quando muitas famílias evitavam assistir certas cenas.


Este Observatório Social por força da expressão industrial do ABC vem compilando as informações sobre áreas contaminadas na região. Se São Bernardo possui 88 áreas com contaminação, Santo André também tem seus problemas. Não são poucos. Há suspeita que a Lista Oficial da Cetesb esteja muito aquém da realidade não revelada. Há que considerar o longo trecho entre as estações de Santo André e Mauá, passando por Capuava, e os imensos pátios industriais, alguns já desativados.

Lembremos o ano de 2005, quando o eixo da Avenida Eusébio Stevaux, em Santo Amaro, tornou-se público a mega extensão de contaminantes na Bacia do Jurubatuba. A divulgação apenas aconteceu em razão da autodenúncia da Gillete do Brasil –hoje Proctle & Gamble.

Santo André possui hoje, segundo a Cetesb, 83 áreas contaminadas. São 66 áreas correspondentes a postos de combustíveis – 79,5%. As áreas industriais são as mais preocupantes, apesar de menor número, 17 no total – 20,5%. Rhodia Poliamida, Rebrasoil, Solvay, Aterro DAEE e Alcoa Alumínio puxam esta lista.

Cabe a sociedade civil exigir maior competência da agência ambiental paulista, e cobrar rígida investigação preliminar e detalhada das áreas com histórico de ocupação industrial.

A exemplo do quadro “Eles e Elas” do Programa do Bolinha na década de 80, está na hora da Cetesb revelar novas áreas contaminadas em Santo André!
Edson Domingues