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domingo, 24 de outubro de 2010

Mais um cap da novela Cond Barão de Mauá

A JUSTIÇA FOI FEITA. SÓ FALTA ACONTECER...

Terreno do Res. Barão de Mauá

O Residencial Barão de Mauá é o Morro do Bumba de São Paulo

Enquanto correm os trâmites legais do julgamento do dia 30 de Setembro, o terreno do condomínio continua contaminado e se expandindo através do lençol freático. Isso significa que a contaminação produzida pelas 450 mil toneladas de lixo tóxico depositadas no terreno pela COFAP, se espalha pelos arredores do condomínio e entre famílias vizinhas, com senhores, senhoras e crianças.
A contaminação já é muito maior do que mostra um mapa da CETESB, que já está desatualizado. Este é um problema de saúde pública como este não deveria passar pela burocracia e suas idas e vindas entre as instâncias julgadoras. Dá a impressão que o problema só existe no papel e tudo o que ocorre é fruto da nossa imaginação, parece uma história daquelas que se lê numa revista antiga, que um dia vai virar lixo também...
Eu, assim como muitas pessoas, estamos esperando por uma resolução deste caso, sentados em cima de um monte de lixo, mas com um detalhe: Estamos sentados, amarrados e amordaçados...

A burocracia e o lixo podem ser eternos,
A NOSSA SAÚDE NÃO!

 http://carlostrupel.blogspot.com/ 

 É isso aí Carlos, estamos com vc!!
  Observatório Social

sábado, 9 de outubro de 2010

LIXO IMPORTADO x LIXO TÓXICO DA COFAP NO BARÃO DE MAUÁ


TRECHOS DE MATÉRIAS DA JOVEM PAN ON LINE E SPTV DA GLOBO SOBRE O LIXO IMPORTADO DA INGLATERRA E UMA COMPARAÇÃO COM OS RESÍDUOS TÓXICOS DEPOSITADOS ONDE HOJE É O CONDOMÍNIO BARÃO DE MAUÁ- Trupel (2009)

 Muito bom o vídeo Trupel!!
Parabéns!
Érica Sena


sexta-feira, 8 de outubro de 2010

O Olho de vidro de Kasinski.





A vilã do Caso Barão de Mauá, Cofap, teve durante anos em sua direção Abraham Kasinski. Seu império foi repassado para a Fiat. Seu passivo ambiental deixado em Mauá foi empulhado para os desprovidos.

Kasinski é mesmo daqueles que não esquecemos. Adora uma piada, uma anedota. Em novembro de 97, a Revista Veja relatou sua paixão pelas anedotas. Sua preferida é aquela do cliente que vai ao banqueiro e pede um empréstimo. O Banqueiro responde que concederia o maço desde que o cliente descobrisse qual era o seu olho de vidro. O cliente desanimado diz que é muito fácil, pois é o único olho em que se vê alguma humanidade.

Kasinski não tem olho de vidro, mas há um olhar de desprezo pelas famílias do Barão de Mauá. Atolados num mar de contaminantes, a conta de Kasinski vai brotar no Sistema Único de Saúde. O velho e bom SUS já herdou uma herança maldita com nome Shell Vila Carioca. 
 Apesar de ter o nome Carioca, essa vila se encontra em São Paulo, e seu caso é famoso no mundo inteiro.

Se Kasinski aprendeu a lição, precisa combinar a milhar e centena nas instâncias superiores, pois a fila é grande. Os olhos do SUS não são de vidro, mas Kasinski é apaixonado por piadas de mau gosto.

Edson Domingues & Paulo Rodrigues, 08/10

terça-feira, 5 de outubro de 2010

Especialista defende possível descontaminação em solo do Barão

É possível descontaminar a área onde foi construído o Condomínio Barão de Mauá, no Parque São Vicente, em Mauá, sem a necessidade de derrubar os prédios. A afirmação é do arquiteto urbanista Luis Sergio Ozorio Valentim, da Divisão de Ambiente do Centro de Vigilância Sanitária do Estado.



Para ele, descontaminar e reaproveitar áreas vazias que um dia foram ocupadas por indústrias, desde as primeiras décadas do século XX, é uma necessidade para os grandes centros urbanos que já não possuem espaços disponíveis. No entanto, os custos ainda são altos e poucas empresas dominam as técnicas de descontaminação.


Até novembro de 2009, existiam 2.904 áreas contaminadas em todo o Estado, segundo relação atualizada anualmente pela Cetesb (Agência Ambiental Paulista (Cetesb). O número é 13% maior em relação à lista do ano anterior. Segundo a agência ambiental, 929 foram descontaminadas e, destas, 110 já podem ser reaproveitadas.


"O desafio está em olhar para esses espaços e saber reaproveitá-los para evitar a expansão em áreas ainda não desmatadas ao redor das cidades. Há casos que já foi indicada a remoção de moradores para descontaminação, como da Favela Paraguai, na margem do Rio Tamanduateí. Não sei se é o caso do Barão. Mas demolir 53 prédios será muito mais prejudicial ao ambiente do que mantê-los e fazer descontaminação do solo", explicou Valentim, lembrando que já vem sendo feita extração de gases no local, com monitoramento da Cetesb.


QUALIDADE DE VIDA


Valentim, que tem trabalho de doutorado sobre riscos à saúde em áreas contaminadas da região metropolitana de São Paulo, ressaltou que os males causados à população que convivem com essas áreas não são somente relacionados à saúde. "Os danos concretos estão mais ligados à qualidade de vida dessas pessoas. Em primeiro lugar do ponto de vista econômico, com desvalorização do imóvel que afeta diretamente a posição social do indivíduo. Depois, vem a questão do bem estar no local. Como se sentem essas pessoas que vivem sobre um local que um dia foi um lixão?", ponderou o arquiteto.


Já o geólogo Ivo Karmann, do Instituto de Geociências da USP (Universidade de São Paulo), não aconselha a ocupação de solos contaminados por indústrias, já que a descontaminação ainda não é uma prática comum e difundida no País. "Se pudermos evitar a ocupação desses lugares, melhor. Além dos problemas sociais, não conhecemos os efeitos reais sobre a saúde", disse.

Deborah Moreira

Fonte: Diário do Grande ABC, 5/10

Relato da CETESB sobre o Cond. Barão de Mauá



Vista parcial do Condomínio Residencial Barão de Maúa

O Conjunto Residencial Barão de Mauá, localizado no Parque São Vicente (veja localização), no município de Mauá é uma área contaminada por compostos orgânicos e inorgânicos, alguns deles voláteis, entre eles o benzeno, clorobenzeno, trimetilbelzeno e decano.  

Foi implantado em terreno pertencente à empresa de amortecedores Cofap, o qual havia sido aterrado com resíduos sólidos industriais, predominantemente areias de fundição. Como não havia controle da área pelos proprietários, outras substâncias tóxicas, de origem desconhecida, foram ali sendo depositadas inadequadamente.

Nem todos os edifícios foram construídos sobre os resíduos; a maioria foi implantado em terreno que não sofreu contaminação.


Delimitação da área contendo resíduos industriais (clique aqui visualizar a imagem ampliada)

A CETESB passou a atuar no caso em função de explosão ocorrida em abril de 2000, quando estava sendo realizada manutenção em uma bomba numa das caixas d´água subterrâneas instaladas no condomínio, vitimando fatalmente um operário. Na ocasião, a CETESB aplicou penalidade de multa à empresa SQG Empreendimento e Construções Ltda., responsável pela construção dos edifícios, e exigiu a adoção de ações de monitoramento, identificação, caracterização e remediação do solo e águas subterrâneas.

Exigências técnicas


- monitoramento de índices de explosividade;
- ventilação forçada dos espaços fechados;
- monitoramento da qualidade do ar na área do condomínio;
- proibição do uso das águas subterrâneas;
- monitoramento da qualidade da água de abastecimento público fornecida aos edifícios;
- cobertura dos resíduos expostos com material inerte;
- realização de investigação detalhada, para delimitação, caracterização e quantificação dos resíduos depositados e da contaminação do solo e das águas subterrâneas;
- realização de avaliação de risco à saúde;
- adequação dos playgrounds, posicionando-os sobre uma camada de argila compactada;
- extração forçada de vapores e gases do subsolo, com monitoramento da eficiência do sistema de tratamento dos gases coletados;
- apresentação de projeto destinado à remoção dos bolsões de materiais orgânicos geradores de gases e vapores;
- implantação de medidas para remediação das plumas de contaminação das águas subterrâneas mapeadas no local.

Em função das ações adotadas, a situação emergencial encontra-se controlada, bem como os riscos pela inalação do ar local. Os seguintes fatos favorecem este quadro:

- a maioria dos edifícios ocupados não está sobre a massa de resíduos;

- está sendo realizado monitoramento de explosividade em vários pontos do condomínio, cujos resultados indicam que os níveis de explosividade caíram bastante na maioria dos pontos monitorados e os riscos estão sob controle;
- está sendo realizado monitoramento do sistema de extração de gases do subsolo, cujos resultados indicam que a área afetada por gases reduziu-se bastante no período de operação do sistema;
- monitoramentos realizados na qualidade do ar atmosférico em ambientes externos e internos aos edifícios indicam não haver concentrações de contaminantes que pudessem representar riscos por inalação de compostos voláteis.

Além das ações de caráter emergencial implementadas em resposta às exigências da CETESB, as secretarias estadual e municipal de Saúde e o Ministério da Saúde têm desenvolvido ações destinadas à caracterização dos eventuais danos à saúde da população exposta aos contaminantes existentes no local.


Paralelamente às ações de cunho ambiental, o Ministério Público do Estado de São Paulo, juntamente com o Movimento Brasileiro Universitates Personarum JC & JC – Juventude, Comunidade, Justiça e Cidadania e o Instituto de Defesa da Cidadania, promoveu ação civil pública contra a COFAP, Administradora e Construtora Soma Ltda., SQG Empreendimentos e Construções Ltda, Paulicoop Planejamento e Assessoria a Cooperativas S/C Ltda. e Fazenda Pública do Município de Mauá. A ação foi julgada procedente em 1º grau, tendo as rés apresentado Recurso que se encontra em análise no Tribunal de Justiça de São Paulo.
No âmbito federal, o juiz da 1ª Vara Cível da Justiça Federal de Santo André deferiu o pedido de tutela antecipada, ajuizado pelo Ministério Público Federal, com um pedido de liminar para que a Caixa Econômica Federal autorizasse a liberação do FGTS – Fundo de Garantia por Tempo de Serviço, aos moradores do condomínio. A decisão passa a valer a partir do momento em que a CEF for intimada.

O Tribunal de Justiça de São Paulo, por sua vez, determinou por meio de liminares concedidas à Construtora do Conjunto Habitacional e à COFAP, a suspensão, por ora, da demolição dos prédios do Condomínio e da execução das indenizações por danos morais e materiais.

De acordo com os últimos relatórios, o sistema de extração de vapores do solo vem sendo operado normalmente. Os dados de monitoramento realizados em 2008 pela empresa SQG não detectaram níveis de explosividade. Em 02/10/2008, técnicos da CETESB avaliaram os níveis de explosividade nos mesmos pontos avaliados pela empresa e também não detectaram níveis de explosividade. Na mesma oportunidade, foi verificado que técnicos contratados pela empresa COFAP encontravam-se realizando trabalhos de perfuração de solo para coleta de amostras para análises laboratoriais para fins de complementação da investigação ambiental da área.

No final de 2007 e início de 2008 foram realizadas amostragens de água dos reservatórios de abastecimento dos edifícios, não tendo sido encontradas alterações oriundas da contaminação existente no local.

A Geoklock iniciou em junho de 2009 mais uma fase das sondagens de reconhecimento na área do Residencial Barão de Mauá. Foram feitas perfurações nas áreas dos condomínios Cidade de Mauá, Irineu Evangelista de Souza, Baronesa, Arroio Grande e Bacia do Prata. O plano de trabalho já foi apresentado aos síndicos. A CETESB solicitará os resultados para avaliação.

O diagnóstico, segundo a Geoklock, irá investigar a localização, quantidade ou concentração e a composição dos resíduos do solo, avaliar seu potencial para fazer mal à saúde e as vias de exposição. Em abril, foram feitas sondagens na área externa do residencial e os resultados ainda não foram enviados para avaliação do órgão ambiental.

Os trabalhos de perfuração e coleta de amostras para elaboração do novo diagnóstico sobre a contaminação no condomínio Barão de Mauá, foram concluídos pela Geoklock ao final de agosto. A realização desse levantamento foi determinada pelo Ministério Público Estadual e o trabalho foi acompanhado por representantes do IPT e da CETESB.
A investigação compreendeu todas as áreas do condomínio e uma parte externa a ele. Foram feitas sondagens para caracterização do solo e dos resíduos e instalados poços para amostragens de gás no solo e de águas subterrâneas, de acordo com as indicações da CETESB.
Os relatórios referentes à investigação foram entregues para avaliação da CETESB em 20/04/2010, que após análise dos estudos divulgará seu parecer técnico. 


Fonte: CETESB

 A pergunta feita pelo OBSERVATÓRIO SOCIAL " DE OLHO NO SOLO" é:

 Alguém sabe sobre esse parecer técnico???? Se souber, mande para o OBSERVATÓRIO!! 
                                Érica Sena- 05/10 

quinta-feira, 30 de setembro de 2010

Nem reza brava ajuda os mais pobres!

 Infelizmente o interesse dos grandes permanecem mais fortes, não adiantando faixas, camisetas, rezas e torcidas. Me sinto triste também pela resposta da Câmara do Meio Ambiente do Tribunal de Justiça de São Paulo, mas não surpresa com isso!
Achei que pudesse me orgulhar da justiça paulistana, mas não foi dessa vez!

  Escrevo a frase do advogado José Luiz Corazza, que representa cerca de 300 famílias do condomínio, dita hoje
 
  "Era prevista indenização bilionária aos moradores e agora eles deverão se contentar com o valor do imóvel. E nem ao menos temos certeza sobre esse valor.", afirmou. "Fica claro que os rés saíram vitoriosos". Corazza 

        NÃO queria dar essa notícia Elisângela, Maurício e Luciane, mas a vida é assim!!! Força muita luz para todos vcs!!!


Érica Sena

"De olho no Solo", se junta aos moradores do Barão de Mauá





Eu, Érica Sena, uma das criadoras e editoras deste Blog De Olho no Solo( Blog este, que foi notícia do jornal Diario do Grande ABC, graças ao ótimo trabalho do parceiro Edson Domingues e da jornalista Deborah), representei o Observatório Social "De olho no solo" hoje cedo em frente ao Tribunal de Justiça de SP, junto aos moradores do Condomínio Barão de Mauá, que mais uma vez protestam sobre o drama de mais uma década.
  Tive o prazer de conversar com 3 moradores( foto abaixo) deste condomínio, construído sobre área contaminada pela COFAP, que mesmo chateados , deixaram seus afazeres em Mauá e foram se juntar aos outros moradores que lutam há 10 anos por os seus direitos.
 Uma observação muito importante feita por eles é que na garagem, onde tem a maior mancha de contaminação, o cheiro de gás é insuportável. E pasmen, durante uma escavação feita encontraram vários sacos de lixo contendo resídúos hospitalares. Corre um boate que até fetos já  foram encontrados durante essas escavações.

Com isso, fica fácil ver que não foi só  COFAP que jogou seus resíduos perigosos, estabelecimentos ligados a area de saúde também fizeram deste terreno um depósito de lixo.

Não fiquei até o fim, mas pude ver a mobilização de cerca de 30 pessoas com faixas e camisetas em frente ao TJ.
Mais detalhes ACESSE o post abaixo a este.

      Desejo muto boa sorte a eles nessa caminhada!! E a justiça seja feita!!!

Um agradecimento para lá de especial à:

  • Elisangela Ferrari;
  • Maurício Toccoli  e sua esposa Luciane Cristina Toccoli,
pela simpatia e pela gentileza que acolheram eu e minha mãe durante essa manhã. 
No final de tudo isso fomos os 5 visitar á Igreja da Sé, e pedir que as forças divinas ajudassem na  vitória desse caso.

 A prova disso é essa foto que tirei da porta da Igreja da Sé, e Elisangela aparece de costas na frente...rs


QUERO VER JUSTIÇA DIVINA E HUMANA!

Érica Sena ( texto e fotos)- 30/09/2010


sábado, 18 de setembro de 2010

O que são alguns dias perto dos 10 anos que já se passaram?


De repente, para você, para a Prefeitura de Mauá e para mim não signifique muito tempo, em comparação a década de espera, mas para as 300 famílias moradoras do condomínio Barão de Mauá, significa o aumento do calvário.
O julgamento desse caso que aconteceria o no dia 16/09 no Tribunal de Justiça de SP foi adiado para dia 30 desse mês, a pedido do Prefeito de Mauá Oswaldo Dias. Os moradores que já haviam se organizado em caravanas para a vinda no Tribunal, ao saberem do adiamento seguiram para conversar com o prefeito, mas pasmem, não foram recebidos, mas sim barrados na porta do Paço Municipal de Mauá por agentes da Guarda Municipal.

  É de extrema importância lembrar que os réus de caso são: Cofap, Paulicoop, Cooperativa Nosso Teto, Soma, além da própria Prefeitura de Mauá, já que deu o aval para a construção do condomínio num terreno que sabiam estar contaminado. Assim fica mais fácil o entendimento desse adiamento, não acha? Bons representantes esses! Preocupados com o bem-estar dos seus moradores! Como dizia Renato Russo: “Que país é esse?”.

Para José Luiz Corazza Moura, advogado que representa 300 famílias, o adiamento não prejudica o processo, só aumenta o trauma. "Causou a princípio uma desilusão muito grande, o que prolonga o sofrimento".
O desembargador Lineu Peinado concedeu 15 dias para que os advogados da prefeitura se interem do processo. E a deputada Vanessa Damo, pres da Frente Parlamentar em Prol dos Moradores do Barão de Mauá,  inconformada com o descaso disse: "Esta é uma prática comum do prefeito”.
A prefeitura não quis se manifestar sobre o assunto nos jornais locais. Alguém sabe o motivo? Risos....

Que tal um "feedback" destes 10 anos de puro desrespeito aos moradores?

O condomínio Barão de Mauá tem 54 prédios e ocupa uma área de 160 mil m² em um terreno que foi o depósito de lixo industrial da Cofap.
  Essa situação só foi conhecida após haver uma explosão por excesso de gás no ano de 2000, provocando a morte de um técnico. 
 O laudo da CETESB constatou a presença de 43 gases tóxicos, sendo 10 cancerígenos, como compostos orgânicos e inorgânicos, alguns deles voláteis, entre eles o benzeno, clorobenzeno, trimetilbelzeno e decano. Como não havia controle da área pelos proprietários, outras substâncias tóxicas, de origem desconhecida, foram ali sendo depositadas inadequadamente.

Nem todos os edifícios foram construídos sobre os resíduos, segundo eles.
A partir dessa explosão os moradores do condomínio entraram na justiça pela indenização, mais do que justa. Eles estão na luta por ela há 10 anos e na foi dessa vez que conseguiram resolver. Os resultados concedidos pela Lei  em primeira instância foram: o ganho de causa aos moradores, determinando a demolição dos 55 prédios habitados, o tratamento do solo, e condenou os réus ao pagamento de indenizações por danos materiais e morais. Segundo o advogado essas indenizações devem variar entre R$ 500 mil e R$ 1,7 milhão, para cada um dos moradores.  
          Mas, como podemos ver,isso não saiu do papel! Mostrando a vergonha e a safadeza que existe no poder!!!



Informações da CETESB (Set/2001)

* Para a produção da matéria foram pesquisadas diversas fontes: Jornal Diário do Grande ABC,Jornal ABC Repórter, CETESB.

Érica Sena, 17/09/2010

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

Julgamento do Caso Barão de Mauá fica para dia 30


Moradores revoltados fizeram protesto na porta do Tribunal de Justiça


Aguarde nosso post sobre esse assunto!!!!

TJ decide hoje caso de condomínio em Mauá

 Prédios com 1.762 famílias estão em área contaminada; processo já dura dez anos

Será decidido hoje, dia 17 de setembro pelo Tribunal de Justiça de São Paulo o destino das 1.762 famílias que moram no Condomínio Residencial Barão de Mauá, em Mauá, na Região Metropolitana.

O conjunto foi construído sobre um depósito de resíduos industriais, fato revelado há dez anos, após uma explosão causada por gases inflamáveis matar um homem. Se mantida a decisão da 1.ª instância, a indenização aos moradores poderá chegar a cerca de R$ 2 bilhões.
A ação civil pública que será julgada foi proposta pelo Ministério Público Estadual em 2001, após um laudo da Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb) apontar a existência de 44 gases tóxicos no local.
Em 2006, a juíza Maria Lucinda Costa, da 3.ª Vara Civil de Mauá, declarou como culpadas a fábrica Cofap - que utilizou a área por décadas como depósito de lixo industrial -, as construtoras Soma e SQG e a prefeitura de Mauá que, para a juíza, não deveria ter autorizado a obra.
Entre danos materiais e morais, a sentença definiu que cada família deveria ser indenizada em até quatro vezes o que pagou pelo apartamento - valor que varia entre cerca de R$ 500 mil e R$ 1,7 milhão. Além disso, a juiza determinou a total evacuação do condomínio, a demolição de todos os prédios e a recuperação do solo. As rés recorreram da decisão, e o julgamento em 2.ª instância acontece hoje. Ainda caberá recurso ao Superior Tribunal de Justiça (STJ).
Divisão. Enquanto a sentença judicial definitiva não sai, os cerca de 7 mil moradores das 55 torres do Barão de Mauá vivem apreensivos e divididos. De um lado, há os que temem pela saúde dos familiares, querem se mudar o mais rápido possível e só dependem do dinheiro da indenização para tanto. De outro, há quem duvide que o local é tão perigoso assim, acha que há "terrorismo" demais no caso e prefere continuar lá a ser obrigado a deixar o condomínio.
O aposentado Joaquim Gabriel, de 52 anos, está no primeiro grupo. Ele comprou seu apartamento ainda na planta, em 1995, e mora lá desde 1999. "Já cansei de ouvir casos de infecção de pele, de urina, de câncer", diz. Ele conta que sua família mesmo já teve vários problemas de saúde relacionados aos gases tóxicos, como meningite e bactérias estomacais de difícil detecção.

Por isso, ele já nem usa mais a água da torneira - três vezes por semana, vai a um poço artesiano em Santo André e enche quatro galões de água para uso na cozinha. "Os médicos me recomendaram parar de beber essa água e me mudar o mais rápido possível, mas não tenho condições financeiras", diz.

Desvalorização. O advogado Alcebíades Baesa Júnior, de 43 anos, tem opinião bem diferente. "Acho que tem muito terrorismo nessa história", afirma. Ele é síndico de um dos blocos e acha que a evacuação deveria contemplar apenas os prédios construídos sobre área contaminada. "Sou de Mauá e brinquei neste terreno onde moro hoje quando criança. Posso afirmar que isso nunca foi um lixão."

Como embasamento técnico, ele utiliza o laudo da Cetesb de 2001, que estimou que apenas 33 mil dos 160 mil metros quadrados do terreno estejam contaminados. "Agora, com essa história toda, os apartamentos se desvalorizam e todo mundo acha que somos cheios de úlceras, mas não é bem assim."
No julgamento de hoje, no entanto, é o primeiro grupo que promete aparecer em peso - a expectativa é de mais de cem moradores.
"Estamos todos muito ansiosos com o resultado", diz Cláudia Rosimeire Augusta, de 45 anos, síndica de outro bloco.

    FRENTE A FRENTE
Joaquim Gabriel Aposentado
"Já adoeceu muita gente aqui, e as doenças são relacionadas com o gás do lixão. Todo mundo sabe"
Alcebíades Baesa Júnior
Advogado e síndico
"A juiza errou na sentença ao colocar todo mundo no mesmo bloco. Esse cheiro ruim não é de gás saindo do solo - são as chaminés das fundições. Mauá é uma cidade industrial"
Conceição Torini
Dona de casa
"Adoro morar aqui. É sossegado e perto do trabalho do meu marido. Nunca tivemos problema de saúde."
Cláudia Rosimeire Augusta
Síndica
"Minha filha de 18 anos tem uma alergia de pele que não cura nem com decreto. E muitas evidências nos leva a crer que essas doenças estejam relacionadas ao aterro"

Fonte: Estado de SP