sexta-feira, 11 de março de 2011

Funcionários de Santos são contaminados por mercúrio




 Pelo menos cinco funcionários da rede pública de saúde estão doentes. Prefeitura diz que vai investigar as causas da contaminação.

Pelo menos cinco funcionários da rede pública de saúde de Santos, no litoral paulista, foram contaminados por mercúrio, que é um metal pesado que pode causar problemas sérios nos rins e no cérebro. O produto estaria vazando de amalgamadores, aparelhos que misturam produtos químicos para restauração dos dentes.

“Pelo mercúrio ser de alta volatilidade, o que você inala fica retido no seu corpo”, afirmou Braz Antunes, que é presidente da Comissão de Saúde, da Câmara de Santos.

A contaminação só foi descoberta porque uma dentista da prefeitura fez exames a pedido de uma outra empresa onde ela trabalha.

O resultado mostrou que a quantidade de mercúrio no organismo da funcionária estava muito acima do que é considerado normal. Os outros funcionários das unidades básicas de saúde decidiram fazer o exame. Pelo menos cinco deles estão doentes.

A Secretaria de Saúde de Santos disse que tem conhecimento de apenas três funcionários com taxa de mercúrio elevada no sangue. Esses três, de acordo com a secretaria, estão afastados.


A Prefeitura disse ainda que vai analisar a situação de mais cinco servidores que trabalham no mesmo posto de saúde. Além disso, a secretaria disse que vai investigar como aconteceu a contaminação.


Fonte: G1

sexta-feira, 4 de março de 2011

Portugal: futuro do solo da Quimiparque vai depender do grau de contaminação


Nuno P. Chorão
É o primeiro passo do projecto Arco Ribeirinho Sul e a a futura construção daquela que muitos chamam "a Lisboa de duas margens". A limpeza dos terrenos da Quimiparque, no Barreiro, cujo proprietário é a empresa pública Baía do Tejo, começou hoje. Um "projecto ambicioso", disse a ministra do Ambiente, Dulce Pássaro, que revelou incertezas quanto ao grau de descontaminação dos solos, de onde serão retirados 52 mil toneladas de lamas de zinco.

Parte do passivo ambiental que sobrou da intensa atividade industrial da CUF/Quimigal, ao longo de mais de um século, será agora removido até 2013. Segundo a ministra, o grau de descontaminação vai depender dos usos para que se destinem os solos em questão. E nem todos terão de ser removidos. "Remove-se o que é necessário, e considerou-se que alguns dos resíduos aqui existentes não se justifica a remoção", afirmou a governante aos jornalistas.

O investimento desta primeira fase ascende a 4,3 milhões de euros, num total de 57 milhões destinados à remoção do passivo ambiental só na zona da Quimiparque.

"A próxima coisa a fazer será avaliar o grau de contaminação do solo em contato com os resíduos. Nalguns casos, poderá haver uma remoção do próprio solo. Noutros não é necessário remover, podendo haver ações de remediação no local. Mas todas estas intervenções têm de ter um bom planeamento".

Também o presidente da Câmara do Barreiro se mostra satisfeito com o início dos trabalhos, apesar de notar que "é apenas um pequeno passo". "Este é um projeto que interessa não só ao Barreiro e ao Seixal, mas a toda a região metropolitana de Lisboa e até ao país".

No plano das incertezas estão os resíduos enterrados debaixo do solo. Um estudo, a ser concluído até ao final de Março, ditará o que fazer. Apesar disso, garante a ministra, "está tudo definido, controlado e bem estudado". Os resíduos recolhidos terão como destino final o Centro Integrado de Recuperação e Valorização e Eliminação de Resíduos (CIRVER) da Chamusca.

terça-feira, 1 de março de 2011

Cientistas estudam forma de purificar água em situações de emergência

Estadao.com.br

Desastres como enchentes, tsunamis e terremotos muitas vezes resultam na propagação de doenças como a gastroenterite, giardíase e até mesmo a cólera por causa de uma escassez imediata de água potável. Agora, pesquisadores da área de química da Universidade McGill, deram um passo fundamental para fazer um filtro de papel, barato e portátil, revestido com nanopartículas de prata para ser utilizado nestes contextos de emergência em um estudo publicado recentemente no Journal of Environmental Science & Technology.

Divulgação
Divulgação
Imagem mostra funcionamento do filtro com água contaminada com bactéria

Segundo o professor Derek Gray, do Departamento de Química da Universidade McGill, a para tem sido usada a muito tempo para purificar a água. Entretanto, o metal, utilizado para combater bactérias, nunca havia sido usado de maneira sistemática para limpar a água.
A equipe do professor revestiu com 5,5 mm de espessura folhas de papel absorvente poroso do tamanho de uma mão com nanopartículas de prata e, em seguida, derramou bactérias vivas nele. Através de um microscópio eletrônico, o cientista pôde ver pontos de prata no papel. Segundo ele, as nanopartículas de prata ficam no papel mesmo quando a água contaminada passa. O experimento mostrou que mesmo quando o papel contém uma pequena quantidade de prata (5,9 mg de prata por grama seca do papel), o filtro é capaz de matar quase todas as bactérias e produzir água que atenda aos padrões estabelecidos pela Agência de Proteção Ambiental Americana (EPA).
O filtro não é visto como um sistema rotineiro de purificação de água, mas como uma forma de prestação de assistência rápida e em pequena escala em situações de emergência. Gray disse que o sistema funcionou bem no laboratório, mas precisa ser testado em campo".



segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

Contaminação radioativa no lixão de Perus - Aterro Bandeirantes.




A Nuclemon depositou lixo químico (Torta de fosfato trissódico – Torta FTS) ao longo de vários anos no lixão de Perus, Aterro Bandeirantes – representando um risco para os trabalhadores e a população vizinha do aterro. A quantidade total era desconhecida.

Por Joelma Couto

No dia 23 de fevereiro de 1970, em plena ditadura militar, começa a história do trabalhador José Venâncio Alves. Venâncio,
como é conhecido pelos amigos, a partir desse dia passa a fazer parte do quadro de funcionários da Administração de Produção de Monazita (APM), localizada em um terreno de 20 mil m² na rua Princesa Isabel, 3, no bairro do Brooklin, em São Paulo. A estatal ligada ao programa nuclear brasileiro passaria, em 1975, a chamar-se Nuclebrás Monazita (Nuclemon).

Venâncio veio de Itaverava, Minas Gerais. Foi seu cunhado, Aarão, que já estava em São Paulo, que lhe arrumou o emprego. Venâncio, assim como o cunhado, tinha pouco estudo. Era chegar e trabalhar, a empresa não exigia muito e oferecia algumas vantagens, tais como quatro latas de leite por mês para cada filho menor de 10 anos e um botijão de gás por mês. O trabalho não era fácil. Era artesanal, braçal, mas eles não tinham estudo e as dificuldades para encontrar um emprego eram grandes. O importante é que estavam trabalhando. Assim como o cunhado, Venâncio trouxe de Minas outros trabalhadores para a empresa. Muitos eram os parentes ou conhecidos. Eram uma grande família.

O que os trabalhadores da Nuclemon não sabiam é que estavam sendo expostos a substâncias altamente tóxicas e também radioativas. A principal matéria-prima utilizada na usina era a monazita, extraída da areia monazítica, abundante na costa do Rio de Janeiro e da Bahia, e rica em urânio e tório. Na Usina de Santo Amaro (USAN), a areia bruta era beneficiada por meio de dois processos: tratamento químico e tratamento físico. Segundo documento do Centro de Referencia do Trabalhador de Santo Amaro, os produtos produzidos na USAN eram vendidos para indústrias eletrônicas, de alta pressão, de cerâmica e de metalúrgica fina. A monazita é desengraxante, desengordurante e também entra no tratamento de águas de caldeira e industrial, e na formulação de detergentes.

A areia monazítica passava por um tratamento químico para obtenção de cloreto de terras raras, gerando um subproduto com alta concentração de urânio e tório conhecido como torta II. A torta II processada também dava origem ao mesotório, produto altamente radioativo.

Todo esse trabalho era feito sem proteção. Os trabalhadores não tinham noção dos riscos. Trabalhavam até mesmo de chinelo de dedos, sapatos vulcabrás comprados na lojinha da empresa, não tinham uniformes e a roupa era lavada em casa e misturada com a roupa de toda família. Venâncio se lembra do amigo José Roberto, também de Ituverava. ”O José ficou viúvo, a esposa morreu de câncer. Ele ficou deprimido, começou a ter convulsões. O chefe não ligava, não se importava com o sofrimento do Chameguinho, como era conhecido José Roberto. Ele era ajudante de manutenção, um dia caiu de uma altura de 10 m e ficou muito tempo no hospital. Quando saiu, voltou a trabalhar, mas não tinha mais condições, ficava perambulando pela usina. Tinha que ser aposentado, mas, depois de dois anos, foi mandado embora. Teve que voltar para Minas com seus quatro filhos para ser cuidado pela família, foi um crime o que fizeram com ele.”

Segundo a Dra Maria Vera Cruz de Oliveira, médica pneumologista do CRT-SA as condições em que os ex-funcionários da Nuclemon trabalhavam eram absurdas. Estavam expostos a poeira, calor intenso, radioatividade e excesso de trabalho. A falta de protetores de ouvido causou perda de audição em muitos deles. Não havia programa de prevenção de acidentes nem uso de máscaras. No setor conhecido como amassador ocorria a mistura do ácido sulfúrico com o pó da pedra de abrigonita para obtenção, por exemplo, do fosfato de lítio. A fumaça produzida nesse setor era tão forte que, quem tinha que ir por ali era obrigado a passar correndo e sem respirar. Seu Severino da Costa, 73 anos, conta que tem silicose, doença pulmonar, e que descobriu a doença quando ainda estava trabalhando, mas, mesmo assim, foi despedido sem direito a tratamento. Severino trabalhou na empresa por 27 anos.

Somente em 1987, após o acidente de Goiânia, os ex-funcionários da Nuclemon começaram a perceber com que tipo de material trabalhavam. Venâncio conta que só então a ficha caiu. Lembra-se que em uma reunião ele sugeriu que a empresa parasse de trabalhar com a monazita, ”meu chefe deu risada, disse que eu estava louco, que a monazita pagava nosso salário e que poderia até mesmo pagar a dívida externa do país”.

Ação sindical
Nos idos da década de 1980, o Sindicato dos Químicos de São Paulo se aproximou dos trabalhadores da estatal. Preocupado com as condições de trabalho e a saúde dos trabalhadores, em 1990, o sindicato solicitou ao Centro de Referência do Trabalhador de Santo Amaro que fizesse uma visita à empresa. Os técnicos do CRT-SA encontraram muitas irregularidades e dificuldades. Cientes da gravidade do assunto, o Sindicato dos Químicos convocou uma reunião que teve a presença do CRT-SA, da Delegacia Regional do Trabalho e da Promotoria do Ministério Público Estadual, intensificando assim as ações contra empresa.

Em meio a protestos da população e a ações do sindicato, do Ministério Público e da Delegacia Regional do Trabalho, as condições de trabalho começaram a melhorar. A roupa passou a ser lavada e descontaminada na empresa, os funcionários começaram a receber vale-refeição e a freqüentar o CRT-SA, onde começaram a fazer exames e a participar de reuniões que tinham como objetivo discutir as condições e a organização do trabalho na empresa.

Em 1991, a Câmara Municipal de São Paulo instaurou uma Comissão Parlamentar de Inquérito para apurar as responsabilidades pela exposição à radiação sofrida pela população de São Paulo, principalmente por trabalhadores, e nas instalações da Nuclemon Minero-Química Ltda.

A CPI chegou à conclusão:

1 A área da Usina Interlagos (USIN) apresentava contaminação radioativa no solo.

2 A Nuclemon, por ter descumprido as normas referentes ao controle de áreas e liberação de material radioativo para o meio ambiente, foi considerada responsável pelos riscos de exposição à radiação e contaminação nos depósitos da av. Interlagos.

3 A Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN) foi responsável pelos riscos por não ter tomado medidas cabíveis de fiscalização e sanção contra a Nuclemon.

4 O armazenamento de rejeitos nucleares na Usina Santo Amaro (USAM) era um risco para os trabalhadores e para a população vizinha.

5 A Nuclemon depositou lixo químico (Torta de fosfato trissódico – Torta FTS) ao longo de vários anos no lixão de Perus, Aterro Bandeirantes – representando um risco para os trabalhadores e a população vizinha do aterro. A quantidade total era desconhecida.

6 As condições de radioproteção da Nuclemon permaneciam absolutamente ineficientes, gerando exposição à radiação desnecessária aos trabalhadores. Deve ser garantido tratamento médico adequado aos trabalhadores contaminados com a
garantia de sua remuneração.

Em 1992 a usina foi desativada por inviabilidade econômica e os trabalhadores foram demitidos ou transferidos para outras unidades.

Os Restos da Usan
A Usina de Santo Amaro, localizada na rua Princesa Isabel, no Brooklin, foi derrubada e todo o material levado para a unidade da avenida Interlagos. Em depoimento à Comissão de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável da Câmara dos Deputados, a engenheira civil e de segurança do trabalho e auditora fiscal do Ministério do Trabalho e Emprego em São Paulo, Fernanda Gianassi, afirmou: “Em vez de rasparem o solo e começarem a retirar as camadas mais profundas, viram que havia contaminação profunda e começaram a jogar pedrisco para cobrir o terreno.”

O terreno, localizado em uma área muito valorizada, foi vendido e, no local, construído um grande condomínio. A reportagem entrou em contato com a assessoria de imprensa da Comissão Nacional de Energia Nuclear, CNEN, órgão federal responsável pelo licenciamento e fiscalização das instalações nucleares e radioativas brasileiras, para saber a posição da empresa em relação à segurança dos moradores do Brooklin e a resposta foi que, “sobre a posição da CNEN relativa
ao terreno da antiga Nuclemon, no bairro Brooklin, em São Paulo, informamos que a área não oferece riscos ao meio ambiente, trabalhadores da instalação e população em geral. A CNEN faz um monitoramento periódico do local para certificar-se de que os níveis de radiação estão dentro da normalidade, abaixo do estipulado nas normas de segurança da CNEN”.

O depósito que guarda os restos das operações da Nuclemon, aproximadamente 1000 (mil) toneladas, fica na esquina da Avenida Interlagos com a Avenida Miguel Yunes. A segurança e a sinalização do local são precárias. As placas que deveriam alertar a população dos riscos são poucas e pequenas. Um exemplo são as placas que indicam que há radiação no local, são pequenas, estão colocadas próximas ao chão e estão sendo cobertas pelo mato. Fernanda Giannasi alerta para o fato de que “pessoas em situação de rua e curiosos frequentemente adentram o terreno, visto que a cerca tem vários pontos abertos”.

Segundo Sérgio Dialetachi, especialista em energia nuclear, consultor da Fundação Heinrich Boell, do PV alemão para assuntos de energia e clima, “a terra fora do galpão está contaminada com radioatividade. Pode até ser baixa, mas não há garantias de que não faça mal a quem se expõe a ela, tudo depende do organismo. Não há limite seguro quando se fala de energia nuclear”.

Há grande preocupação com a presença do depósito na região. Quando foi criado, a população no entorno era pequena. Hoje, a expansão imobiliária passa pela região. Ao lado do terreno onde estão estocados toneladas de material radioativo está sendo construída a nova igreja do padre Marcelo Rossi, que será visitado por milhares de romeiros mensalmente, assim como vários condomínios residenciais. Outro fato que chama a atenção é o de que muitas pessoas que moram ou trabalham na região não sabem da existência do depósito, não recebem informações e não têm conhecimento de como proceder em caso de acidente.

Segundo Sérgio Dialetachi, a fiscalização do local é precária, mas já foi pior. Aproximadamente 1000 (mil) toneladas deveriam ter sido retiradas do local há 13 anos, porém, a falta de um depósito definitivo faz com que a população da cidade de São Paulo tenha que conviver com uma bomba-relógio que pode explodir a qualquer momento. Segundo Fernanda Giannasi, o local é impróprio, coloca em risco a população, o meio ambiente e os próprios trabalhadores do depósito.

Joelma Couto é jornalista
O Estado de São Paulo

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

MPF/MG quer impedir que os rejeitos da produção industrial da Fosfértil continuem contaminando o meio ambiente


Publicado em fevereiro 24, 2011 por HC

O Tribunal Regional Federal da 1ª Região cassou a decisão da Justiça Federal de Uberaba que indeferiu pedido de liminar feito pelo Ministério Público Federal (MPF) na Ação Civil Pública nº 0004699-31.2008.4.01.3802.
A desembargadora federal Selene Maria de Almeida deu provimento ao agravo do MPF e obrigou a Fertilizantes Fosfatados SA (Fosfértil), atual Vale Fertilizantes S.A., a cumprir 24 medidas de prevenção ambiental, entre elas, o tratamento imediato das águas utilizadas no complexo industrial, de modo a impedir que essa água poluída seja despejada no Córrego Gameleiras, afluente do Rio Grande. A Fosfértil é fornecedora do ácido fosfórico, matéria-prima utilizada na produção de fertilizantes e insumos agrícolas.
Para a desembargadora, “levando-se em consideração a dificuldade de constatação e avaliação imediata das consequências dos danos ambientais perpetrados e tendo a consciência de que os efeitos das condutas lesivas somente aparecem após vários anos ou, o que é pior, já em outra geração, entendo que as provas colacionadas aos autos bastam para a comprovação da conduta lesiva ao meio ambiente praticada pelo agravado (Fosfértil)”.
E completa: “O meio ambiente danificado não tem à disposição tempo para aguardar uma eventual condenação do degradador para apenas então observar a adoção de medidas de recomposição ou proteção, sem perder de vista que o dano ambiental não pode, em circunstância alguma, valer a pena para quem o pratica”.
Lixo químico a céu aberto – Na ação, o MPF informa que, segundo dados da própria Fosfértil, para cada tonelada de ácido fosfórico produzido pela empresa, resultam cerca de 4,8 toneladas de fosfogesso, um rejeito com traços de radioatividade e presença de ácido sulfúrico, ácido fosfórico e amônia. Das mais de três milhões de toneladas de fosfogesso produzidas por ano, apenas 0,8 milhões são comercializadas para uso agrícola. O restante é acumulado numa pilha, que, na verdade, é um gigantesco depósito a céu aberto, com 120 hectares de área e 57 metros de altura.
Para se ter ideia do tamanho desse depósito, basta imaginar que, em dimensão, ele equivale a mais de 140 campos de futebol, e, em altura, a um prédio de 19 andares.
Essa pilha gigantesca de rejeitos químicos está depositada em área de preservação permanente, às margens do Rio Grande, integrante de uma das mais importantes bacias hidrográficas da região central do país.
O armazenamento totalmente inadequado, que também é agravado pela ausência de impermeabilização adequada na base da pilha e no assoalho das lagoas de decantação dos efluentes (água ácida com grande concentração de sólidos em suspensão que também resultam do processo industrial), vem causando a contaminação do solo no local.
Durante as investigações, funcionários da própria Fosfértil informaram que, devido à ação do vento e ao transporte de caminhões e máquinas, as ruas do pátio industrial da empresa ficavam sujas de fertilizantes, os quais, em contato com as águas pluviais, transformavam-se em ácido, que era direcionado para as canaletas que davam vazão ao Córrego Gameleiras, afluente do Rio Grande.
Na verdade, a própria Fosfértil, em ação judicial que tramita na Justiça Estadual paulista, ao falar sobre a água ácida retida nas lagoas de decantação, confessou que suas atividades têm potencial para causar danos ambientais “amplos e seríssimos, incontroláveis, desastrosos e irreversíveis”, não se podendo sequer prever a “extensão do risco e da contaminação ambiental”.
Radioatividade – A contaminação atmosférica por fluoretos e outros elementos tóxicos também é preocupante, até porque foi detectada a presença de poeira radioativa e a exposição direta à radiação gama provenientes do depósito a céu aberto.
Isso sem falar da possibilidade de rompimento da pilha e das lagoas de contenção, como inclusive já aconteceu em duas ocasiões, quando uma das barreiras de contenção do depósito de gesso cedeu, vazando enorme quantidade de produtos químicos no meio ambiente, o que causou a mortandade de peixes, animais da fauna silvestre e perda da vegetação.
Segundo o MPF, a situação é grave e requer a adoção de medidas imediatas.
Para a desembargadora federal Selene Almeida, em matéria ambiental, “não há lugar para intervenções tardias, sob pena de se permitir que a degradação ambiental chegue a um ponto no qual não há mais volta, tornando-se irreversível o dano”.
E lembrou, citando o jurista Jean-Marc Lavieille, que “o princípio da precaução consiste em dizer que não somente somos responsáveis sobre o que nós sabemos, sobre o que nós deveríamos ter sabido, mas, também, sobre o que nós deveríamos duvidar”.
Tentativa de acordo – Após assumir a Fosfértil, a Vale entrou em contato com o Ministério Público Federal e se dispôs a buscar solução para os problemas ambientais expostos na ação judicial. As negociações prosseguem. A empresa afirma já ter cumprido cerca de 80% dos pedidos liminares feitos pelo MPF.
Veja as iniciais da ação e do agravo com os pedidos feitos pelo Ministério Público Federal.
Fonte: Ministério Público Federal em Minas Gerais

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Rhódia demite contaminados!

Empregados da Rhodia foram afetados em 1993 por produtos com cloro

21      de fevereiro de 2011 |
22      Márcio Pinho - O Estado de S.Paulo
Pelo menos 12 trabalhadores contaminados por produtos a base de cloro na fábrica da indústria francesa Rhodia em Cubatão, no litoral de São Paulo, antes de sua interdição em 1993, foram convocados para assinar a carta de desligamento da empresa. O Tribunal Regional do Trabalho (TRT), no entanto, suspendeu temporariamente as demissões.
Ao todo, 20 trabalhadores receberam cartas nas quais eram informados de que deveriam comparecer à empresa. Eles se dizem revoltados com a chance de desligamento e garantem que os efeitos da contaminação persistem - um deles fez um transplante de fígado. Isso desrespeitaria acordo firmado entre empresa e Ministério Público em 1995, que impede a demissão enquanto os efeitos perdurarem.
A Rhodia afirma que a convocação foi genérica para tratar de assuntos da empresa, mas que a dispensa vale para 12 desses trabalhadores porque não apresentam mais os sintomas relacionados à contaminação segundo exames refeitos entre 2009 e 2010 pelo Hospital Israelita Albert Einstein. A fabricante de produtos químicos afirma ainda que analisará cada caso.
Na última semana, após os funcionários decretarem greve, o TRT suspendeu as demissões temporariamente.
Esses trabalhadores estão entre os remanescentes de um grupo de aproximadamente 150 empregados cujos exames médicos, em 1993, confirmaram alterações pela contaminação. Contam que chegaram a trabalhar em condições em que havia uma neblina na fábrica, com produtos suspensos no ar. Parte desligou-se da Rhodia ao assinar planos de demissão voluntária.
Jeffer Castelo Branco, da Associação de Combate aos Poluentes (ACPO), formada por vários ex-funcionários da Rhodia, afirma que a atitude da empresa não tem "qualquer senso de dignidade humana". "O prejuízo à saúde dos trabalhadores já foi feito. Eles estão doentes e não têm tempo de trabalho para se aposentar. Precisam do auxílio da empresa e do plano de saúde a que têm direito", diz ele.
Castelo Branco diz que não foram feitos todos os exames necessários para descartar doenças ou agravos. Um exemplo são testes de problemas neuro-comportamentais resultantes da contaminação. O representante da associação reclama ainda que não houve uma junta médica com representantes dos funcionários e do MP para julgar os resultados dos exames. O Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) determinou em 1995 que uma junta semelhante listasse doenças e agravos que serviriam de base para novos exames a cada seis meses.
Outro lado. A Rhodia informou que resultados de exames realizados pelo Hospital Albert Einstein mostraram que parte dos empregados "não apresenta qualquer sintoma relacionado ao trabalho". A empresa diz que cumpre "rigorosamente" o TAC e alguns dos funcionários estão em licença remunerada há mais de 17 anos, pois a Rhodia não possui atividade produtiva na Baixada Santista. Eles recebem os mesmos benefícios dos demais empregados. A Rhodia disse que não comentaria a decisão do TRT.

Vazamento resulta em 5 mil litros de óleo combustível em rio do Paraná


Cerca de 5 mil litros de óleo combustível contaminaram o rio que abastece o município de Cascavel, no Paraná, após um acidente entre dois caminhões resultar no derramamento da carga dos veículos. O acidente ocorreu neste sábado (19).
Como reflexo do vazamento, ao menos 120 mil pessoas estão sem acesso a água, número que representa quase metade da população de Cascavel. Embora o acidente não tenha deixado feridos, o prejuízo para o meio ambiente na região foi enorme.
Foram montadas barreiras para conter o avanço da mancha de combustível no rio e equipamentos sugavam o lubrificante da água, mas nada adiantou. O produto se espalhou por 14 quilômetros do rio e atingiu uma das três estações de tratamento a cidade.
A previsão da companhia de abastecimento do Paraná é de que cerca de 60% da população da cidade fique sem água nesta segunda-feira (21). O abastecimento de água na em Cascavel não deve voltar ao normal antes de quarta-feira (23). (Fonte: G1)