quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

Chumbo grosso neles!



A Vara da Fazenda Pública do Estado do Paraná encaminhou em 29 de setembro de 2010, Carta Precatória a Comarca de São Lourenço da Serra – SP, para Execução de Sentença 000008-93.2002.8.16.005-4 de penhora de bens da Plumbum Mineração e Metalurgia.

O ato do Judiciário Paranaense acima citado é mais um destes episódios que os seguidores deste Blog se arrepiam com os danos ambientais provocados em terras brasillis.

O mapa da injustiça ambiental e saúde no Brasil mostra o descaso da Plumbum e o efeito nefasto de contaminação numa das cidades mais bonitas da Grande São Paulo: São Lourenço da Serra. Por lá a Plumbum deixou chumbo no ambiente e no organismo de trabalhadores e comunidade do entorno.

O fato constatado em 1996, sem nenhuma providência de remediação do local. Se não fosse suficiente as marcas deixadas pela Plumbum em São Lourenço da Serra, a mineradora fez algo similar também com chumbo em Adrianópolis – PR. Por lá, a pataquada foi pior. São Lourenço da Serra e Adrianópolis fazem parte da Bacia Hidrográfica do Rio Ribeira de Iguape.

Em terras paranaenses a mineradora anabolizou os danos ambientais. A contaminação por metais pesados no Vale do Ribeira atingiu população ribeirinha, ictiofauna, ultrapassando o limite de exposição da vida aquática em 730 vezes. A anuência para este processo de produção sujo foi concedido pelas sujas botas dos generais do Regime de 64.

A tolerância do Regime parecia sem limite. Mas no século XXI, o limite para deixar estar para ver como é que fica, parece ter ido longe demais. As encefalopatias por lá competem com a fome, com a miséria do Ribeira e com a incompetência das autoridades. Quem se arrisca a entrar neste jogo?

Edson Domingues

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

A iguaria de Jundiaí.



 

As obras do futuro Shopping Center de Jundiaí foram interrompidas. Durante a terraplenagem foi constatado contaminação, segundo moradores do bairro de Bela Vista. A Cetesb interditou o empreendimento em razão da contaminação do solo, subsolo e águas subterrâneas.
 
No local do futuro centro de compras, funcionou durante décadas a Fundição Vigorelli. Por lá ficaram seus resíduos. A conta ambiental fica para as próximas gerações, já que o Gerente da Cetesb de Jundiaí, Hélio Ungari, afirmou na imprensa local “que não há riscos a não ser que alguém coma terra”.
 
Em Jundiaí não se tem notícia de tal iguaria. A comilança de terra está a cargo da empresa Multiplan, que projeta o tal empreendimento. Para a Multiplan, remover terra é salutar para melhoria da qualidade das águas contaminadas. Resta combinar com os Russos e com as explotadoras de água mineral da região, afinal lençol freático é coisa de terceira categoria na visão de nosostros. Vai além, dá garantia aos frequentadores de que a água subterrânea não será servida aos futuros clientes.

Pudera. Mal gosto tomar água contaminada. Basta dar uma rápida visita a página da Câmara Municipal de São Paulo, e ler o capítulo das águas do Relatório Final da CPI do Dano Ambiental aprovado em dezembro de 2009.

Edson Domingues

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

A água de cima, o solo e a água debaixo...







A Audiência Pública sobre a Operação Urbana Água Branca promovida pela Secretaria Municipal do Verde e Meio Ambiente realizada no mês passado contemplou vários impactos positivos e negativos para o bairro que passará por profunda alteração de sua paisagem urbana.

Da antiga Fábrica Matarazzo sobraram as chaminés e a Casa das Caldeiras. Os remanescentes do parque fabril do eixo da linha ferrovia Santos Jundiaí estão cada vez mais desaparecendo. O objeto de desejo do mercado imobiliário tem nome e atende por Santa Marina. A antiga fábrica até os dias de hoje produz vidros, e no futuro pretende-se produzir arranha – céus. Coincidência da vida, ao lado passará nova linha do Metrô.

O que não se enxergar é meramente por que não se pode ver. Debaixo do solo da pátria mãe gentil, nossa Lapa – Barra Funda está infestada por desengraxantes, metais, e otras cositas más...

Justamente a parte mais frágil, o subsolo e águas subterrâneas, do perímetro da Operação, não foi contemplado. Dia 20 de dezembro, nova audiência pública. Reivindicamos.

Edson Domingues

terça-feira, 23 de novembro de 2010

Só Cristo Salva!


O Rio de Janeiro neste momento possui oito grandes projetos em andamento. Todos este são de ordem do capital estrangeiro. Associados ao Pré-Sal, estes investimentos transformarão o perfil econômico do Estado Fluminense. Nada mais, nada menos que General Elétric, IBM, ThyssenKrup, Hyundai e Volvo, dentre outras empresas, estão com empreendimentos em andamento ou planejados para a felicidade do Governador Sérgio Cabral.

São Paulo já viu este filme antes. Dentre os empreendedores que vislumbram novos ares, está a auto-denunciante Procter & Gamble. Para refrescar a memória dos seguidores deste Blog, vamos voltar ao ano de 2005. A P&G é filhote do Tio Sam. Instalou-se na Bacia do Jurubatuba e deixou o solo em situação pior do que qualquer banheiro dos bares da Praça Júlio de Mesquita, centro velho de São Paulo. Ciente do que deixou para trás, anunciou o que deixou no solo e nas águas subterrâneas, mas a mão invisível do mercado não sabe o que faz com o tamanho do bolo.

Agora chegou a vez dos conterrâneos de Lima Barreto. Serão investidos US$ 30 milhões na nova Unidade no município de Queimados – RJ. Lá o processo produtivo deverá ser um pouco mais moderno. Se seguir a lógica da Teoria da Dependência, todo maquinário obsoleto na América do Norte será levado para terras fluminenses.

O filme da P&G em Sampa está queimado. Em Queimados será diferente?

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Irwin Tool e o sonho de Abimael Guzmán.



Recordo-me bem quando completei 24 anos, em 12 de setembro de 1992, data em que o líder do grupo peruano Maoísta Sendero Luminoso foi preso. A operação do setor de inteligência do Governo Fujimori foi cirúrgica. Abimael Guzmán, líder número 1 do agrupamento esquerdista fora capturado numa ação que envolvia uma belíssima bailarina, que o seduziu. Guzmán foi preso quando menos esperava junto com a dançarina, agente do Estado infiltrada no seio da guerrilha Senderista. Nunca mais o Sendero Luminoso foi o mesmo. Nem mesmo foi Fujimori.

Irwin Tool Ferramentas do Brasil desativou suas instalações no bairro da Leopoldina em São Paulo, no ano de 2006. Deixou por lá não se sabe bem o quê, mas consta na Lista de Áreas Contaminadas da Cetesb. A Cetesb manifesta-se de modo não muito claro. Consta na sua Lista, mas pronuncia-se junto à 10ª Vara da Fazenda Pública do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo em 07 de Dezembro passado, afirmando que a reclamada implementou sistema de remediação no local, mas não conclui sobre a atual situação.

Em setembro de 2010, em comunicado ao Vereador Juscelino Gadelha, PSDB/SP, a Irwin, hoje Newel Rubbermaid, usa o gerúndio para afirmar que “...vem implementando...medidas necessárias para saneamento do imóvel do Jaguaré.” Gadelha foi Relator da CPI dos Danos Ambientais e não economizou tinta no seu Relatório Final. Seu faro é apurado e o episódio do Jaguaré cheira mal.

Guzmán está cumprindo sua prisão perpétua. Fujimori é persona non grata no Peru. Se a Irwin e a Cetesb não se entendem, o passivo não será perpétuo. Se o sonho de Guzmán é a liberdade, a Newell Rubbermaid deixa dúvidas sobre suas intenções. Quem é a bailarina e quem é Guzmán nesta história entre Irwin e Cetesb?
Edson Domingues

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

Maratona global antipoluição




Pelo menos 10 milhões de pessoas vivem em áreas cujo solo está contaminado por chumbo (metal pesado associado à redução do QI de crianças, anemia, dores musculares, perda de memória, infertilidade, dentre outros). Outros 8,6 milhões estão expostos a mercúrio, 7,3 milhões vivem em áreas contaminadas por cromo e 3,3 milhões em locais onde ocorreram acidentes com radioatividade.


Esses números são do Blacksmith Institute, uma organização não-governamental baseada em Nova York. Ela ganhou alguma notoriedade por publicar, anualmente, o relatório Lugares Mais Poluídos do Mundo a partir de um banco de dados com informações sobre mil áreas contaminadas espalhadas pelo mundo.


Os números usados pela entidade são bastante conservadores – é provável que existam mais de mil áreas contaminadas no Brasil, que dirá no mundo. No entanto, este é um levantamentamento relevante, já que, historicamente, a poluição do solo nunca teve o sex-appeal de outros problemas ambientais, como os derramamentos de petróleo no oceano ou o aquecimento global.


Se o tema despertasse a atenção que merece, você provavelmente já teria ouvido falar do Blacksmith Institute. Com um orçamento relativamente modesto – cerca de US$ 4 milhões anuais -, ele já promoveu a descontaminação de 50 áreas em vários países. Dentre eles, a bacia dos rios Marilao, Meycauayan e Obando, nas Filipinas, contaminada pelo descarte industrial de metais pesados; a zona de garimpo de ouro de Manica, em Moçambique, onde há grande descarte de mercúrio; águas subterrâneas de Kanpur, Índia; e minas de arsênico em Wenshan, na China.


No momento, a organização trabalha em 40 projetos, com destaque para uma iniciativa no estado de Zamfara, na área rural do norte da Nigéria. Trata-se de uma área contaminada pelo descarte de chumbo pelo garimpo de ouro, que já matou centenas de crianças. Além da remoção de solos, a entidade está trabalhando na educação da comunidade, para evitar que a situação se perpetue.


Segundo o Charity Navigator, uma organização que dá aos doadores elementos para avaliar a competência e a transparência das não-governamentais norte-americanas, o Blacksmith Institute é extremamente eficiente na utilização de seus recursos.


Um dos seus méritos está no emprego de técnicas muito diversas, incluindo o uso de minhocas e estrume de vaca para concentrar os contaminantes e facilitar a sua remoção. “Você pode resolver esse problema com relativamente pouco esforço porque o númer de áreas contaminadas é finito”, declarou recentemente à revista Time o fundador da organização, o consultor ambiental Richard Fuller, que já trabalhou no Brasil, num projeto de criação de unidades de conservação das Nações Unidas.




Fonte: Revista Página 22- 09/11

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

DECRETO Nº 51.436, DE 26 DE ABRIL DE 2010

O Diário Oficial da Cidade de São Paulo publicou no dia 27 de abril, o Decreto nº 51436 que regulamenta a Lei 15098 (05/01/2010), de autoria do vereador Ítalo Cardoso, a qual obriga a Prefeitura a publicar na Imprensa Oficial ou disponibilizar no Portal da Prefeitura o Relatório das Áreas Contaminadas do Município de São Paulo. A Secretaria Municipal do Verde e do Meio Ambiente – SVMA - ficará encarregada da divulgação desses dados.

De acordo com o Decreto, deverão constar do Relatório das Áreas Contaminadas, obrigatoriamente, todas as áreas públicas e privadas cujos procedimentos de avaliação e eventual descontaminação sejam gerenciados pela SVMA.


O vereador Ítalo Cardoso enfatiza que “esse é um direito fundamental da população e é preciso saber da contaminação do solo, das águas subterrâneas e a extensão do dano existente nessas áreas”.


Todos lembram, Ítalo Cardoso integrou no ano passado a Comissão Parlamentar de Inquérito para investigar danos ambientais na cidade de São Paulo decorrentes de atividades e práticas industriais e econômicas inadequadas, irregulares ou ilegais.


A constatação da existência de áreas contaminadas em razão de atividade industrial e sua vinculação direta com a saúde da população do entorno foi um dos principais temas na CPI. A Lei e sua regulamentação, agora publicada, constituem nova vitória do mandato do vereador.


Leia aqui a íntegra do Decreto:


Regulamenta a Lei nº 15.098, de 5 de janeiro de 2010, que obriga o Poder Executivo a publicar na Imprensa Oficial ou disponibilizar no site oficial da Prefeitura Relatório das Áreas Contaminadas do Município de São Paulo.


GILBERTO KASSAB, Prefeito do Município de São Paulo, no uso das atribuições que lhe são conferidas por lei, D E C R E T A:




Art. 1º. A Lei nº 15.098, de 5 de janeiro de 2010, que obriga o Poder Executivo Municipal a publicar na Imprensa Oficial ou disponibilizar no site oficial da Prefeitura Relatório das Áreas Contaminadas do Município de São Paulo, fica regulamentada de acordo com as disposições deste decreto.


Art. 2º. A Secretaria Municipal do Verde e do Meio Ambiente deverá publicar na Imprensa Oficial, bem como disponibilizar no Portal da Prefeitura do Município de São Paulo na Internet, Relatório das Áreas Contaminadas do Município de São Paulo.

§ 1º. Deverão constar obrigatoriamente do Relatório das Áreas Contaminadas todas as áreas públicas e privadas cujos procedimentos de avaliação e eventual descontaminação sejam gerenciados pela Secretaria Municipal do Verde e do Meio Ambiente.




§ 2º. O Relatório das Áreas Contaminadas deverá ser atualizado trimestralmente, com a inclusão de todas as áreas contaminadas constatadas pelo órgão ambiental municipal nos 3 (três) meses anteriores à sua divulgação.


§ 3º. A divulgação do Relatório das Áreas Contaminadas, mediante, sua publicação na Imprensa Oficial e disponibilização no Portal da Prefeitura do Município de São Paulo na Internet, deverá ocorrer até o 5º dia útil do mês.


§ 4º. A Secretaria Municipal do Verde e do Meio Ambiente deverá, trimestralmente, encaminhar à Câmara Municipal de São Paulo, até o 5º dia útil do mês, cópia do Relatório das Áreas Contaminadas, acompanhada de cópias dos pareceres e informações técnicas que apontaram a contaminação do imóvel, referentes aos 3 (três) meses anteriores à divulgação do relatório na forma prevista neste decreto.


Art. 3º. O Relatório das Áreas Contaminadas deverá conter, no mínimo, as seguintes informações:


I - número de contribuinte na Prefeitura do Município de São Paulo (SQL) ou no do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (INCRA), em se tratando de áreas particulares;
II - endereço da área contaminada e seus limites, incluindo:



a) denominação da via na qual a área está localizada;
b) Código de Endereçamento Postal – CEP;
c) Distrito;
d) Subprefeitura;
e) zoneamento da área;
f) coordenadas geográficas UTM (baseadas no DATUM SAD 69) representativas do imóvel;

III - grupos de contaminantes observados na área;


IV - tipo de restrição aplicada no imóvel, quando sugerida pelo órgão ambiental municipal, dentre as seguintes:
a) água subterrânea;
b) água superficial;
c) solo;
d) solo e água subterrânea;
e) construção de subsolo
f) construção de ambientes confinados;

g) plantio de alimentos e/ou árvores frutíferas;


V - procedimentos e medidas de intervenção adotados para remediação, caso a área se encontre nessa etapa de gerenciamento;

VI - classificação da área contaminada segundo as seguintes situações:
a) contaminada sob investigação;
b) contaminada;
c) em processo de monitoramento para reabilitação;
d) reabilitada.


Art. 4º. A primeira publicação do Relatório de Áreas Contaminadas do Município de São Paulo na Imprensa Oficial, bem como sua disponibilização no Portal da Prefeitura do Município de São Paulo na Internet, deverá ocorrer no prazo de até 180 (cento e oitenta) dias da publicação deste decreto.


Art. 5º. Este decreto entrará em vigor na data de sua publicação.




PREFEITURA DO MUNICÍPIO DE SÃO PAULO, aos 26 de abril de 2010, 457º da fundação de São Paulo.
GILBERTO KASSAB, PREFEITO
EDUARDO JORGE MARTINS ALVES SOBRINHO, Secretário Municipal do Verde e do Meio Ambiente
Publicado na Secretaria do Governo Municipal, em 26 de abril de 2010.
CLOVIS DE BARROS CARVALHO, Secretário do Governo Municipal




Fonte: Site de Ítalo Cardoso

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

SP tem uma lei que obriga a Prefeitura a informar sobre áreas contaminadas

Lei obriga a Prefeitura publicar na Imprensa Oficial ou disponibilizar no site Oficial da Prefeitura o relatório das áreas contaminadas do Município de São Paulo. Está em vigor, mas falta a Prefeitura colocar em seu site a página com as informações, fazendo valer o texto.




http://www.italocardoso.com.br/index.php

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

" DE OLHO NO SOLO" na TVT!!!




Clique e Ligue pgm09 exibido em 19/10/2010 -
Tema: Ambiente SMS
Programa voltado as novas tecnologias de comunicação e a inclusão digital da população brasileira. Uma cobertura das novas tecnologia e novos usos dos equipamentos de comunicação.
http://www.tvt.org.br/portal/watch.php?id=1963&category=143

Parabéns Paulo!!!! Arrasouuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuu!!!!
    Érica Sena

A Res CONAMA 420/2009 : uma luz no fim do túnel?


Vc já ouviu falar sobre a Resolução CONAMA 420/2009 ????

Ela dispõe sobre critérios e valores orientadores de qualidade do solo quanto à presença de substâncias químicas e estabelece diretrizes para o gerenciamento ambiental de áreas contaminadas por essas substâncias em decorrência de atividades antrópicas.

Leia essa resolução na íntegra!!
http://www.mma.gov.br/port/conama/legiabre.cfm?codlegi=620

O Centro Universitário SENAC promoveu no dia 19/10 em SP o VIII Painel de Debates sobre Áreas Contaminadas para a discussão da Resolução CONAMA 420/2009 e seus impactos no gerenciamento de áreas contaminadas em âmbito nacional.
A primeira apresentação foi feita pelo Sr. André Cardoso, representante do Ministério do Meio Ambiente e apresentou os principais aspectos apresentados pela Resolução. O cadastro nacional de áreas contaminadas será feito pelo IBAMA, que deverá receber os dados tabulados pelas Agências Estaduais de Meio Ambiente, os quais serão responsáveis pelo gerenciamento das áreas contaminadas em seus territórios.

Um dos grandes desafios impostos pelo CONAMA 420/2009 será a capacitação das Agencias Estaduais de Meio Ambiente para que as mesmas se capacitem para o gerenciamento das áreas contaminadas e trabalhem na definição de valores específicos de referência da qualidade do solo e águas subterrâneas, até o ano de 2013.

O Gerente do Departamento de Áreas Contaminadas da CETESB, Eng. Alfredo Rocca apresentou as implicações da Resolução 420 nos procedimentos adotados pela CETESB no Estado de São Paulo. Em São Paulo, a Lei Estadual 13.577 de 08 de Julho de 2009 exige que as escrituras dos imóveis afetados por áreas contaminadas sejam averbadas, fazendo constar no registro de imóveis a menção da presença de contaminantes no imóvel.

A Eng. Rosangela Gurgel da FEAM apresentou os trabalhos que vem sido conduzidos em Minas Gerais e ressaltou os desafios para a definição das condições de background dos solos mineiros, em função da grande complexidade geológica no estado.
A última apresentação ficou a cargo do Advogado Luis Celso RIbeiro da Pinheiro Neto Advogados, que ressaltou as implicações na Resolução sob o ponto de vista dos empresários.

A publicação da Resolução 420 do CONAMA é um marco regulamentador de grande impacto para os Órgãos Estaduais de Meio Ambiente no tocante ao gerenciamento das áreas contaminadas e para o setor produtivo, com impactos em âmbito Nacional.


Fonte: Blog da Clean Environment Brasil 

 É um bom passo para que haja um melhor gerenciamento das áreas contaminadas do estado e de todo o país.
               Érica Sena

domingo, 24 de outubro de 2010

Mais um cap da novela Cond Barão de Mauá

A JUSTIÇA FOI FEITA. SÓ FALTA ACONTECER...

Terreno do Res. Barão de Mauá

O Residencial Barão de Mauá é o Morro do Bumba de São Paulo

Enquanto correm os trâmites legais do julgamento do dia 30 de Setembro, o terreno do condomínio continua contaminado e se expandindo através do lençol freático. Isso significa que a contaminação produzida pelas 450 mil toneladas de lixo tóxico depositadas no terreno pela COFAP, se espalha pelos arredores do condomínio e entre famílias vizinhas, com senhores, senhoras e crianças.
A contaminação já é muito maior do que mostra um mapa da CETESB, que já está desatualizado. Este é um problema de saúde pública como este não deveria passar pela burocracia e suas idas e vindas entre as instâncias julgadoras. Dá a impressão que o problema só existe no papel e tudo o que ocorre é fruto da nossa imaginação, parece uma história daquelas que se lê numa revista antiga, que um dia vai virar lixo também...
Eu, assim como muitas pessoas, estamos esperando por uma resolução deste caso, sentados em cima de um monte de lixo, mas com um detalhe: Estamos sentados, amarrados e amordaçados...

A burocracia e o lixo podem ser eternos,
A NOSSA SAÚDE NÃO!

 http://carlostrupel.blogspot.com/ 

 É isso aí Carlos, estamos com vc!!
  Observatório Social

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

Perus viu essa história antes...



A Província de Nápoles, no sul da Itália, enfrenta nos últimos dias violentos confrontos entre agentes de segurança e manifestantes que não se conformam com uma decisão do governo de inaugurar um novo lixão no Parque Nacional do Vesúvio. Até ontem, quando centenas de pessoas enfrentaram policiais, vários caminhões de lixo, um carro de polícia e um ônibus acabaram incendiados. Cinco pessoas foram presas.

Hoje, o Conselho de Ministros da Itália deve fazer uma reunião de emergência para discutir a situação. Além dos confrontos, a principal consequência do impasse é o acúmulo de lixo nas ruas de Nápoles, já que a circulação dos caminhões está prejudicada.

Os confrontos ocorreram principalmente na entrada do aterro sanitário da cidade de Terzigno, onde os manifestantes vêm tentando impedir os caminhões de despejar lixo, e na vizinha Boscoreale, onde um grupo destruiu vitrines de várias lojas e apedrejou carros de polícia que escoltavam os caminhões de lixo ontem. Várias pessoas ficaram feridas, no entanto, não havia números oficiais a respeito. A polícia respondeu aos ataques com bombas de gás lacrimogêneo.

O anúncio da construção do aterro sanitário Cava Vitiello serviu como estopim da revolta. E a população de Terzigno passou a exigir o fechamento do lixão inaugurado em 2009. O movimento é chamado de "Intifada do Vesúvio" e "Revolta das mães vulcânicas". Diante do depósito da cidade, atualmente um dos únicos em atividade na província, vêm ocorrendo os principais protestos, nos quais mulheres e crianças tentam impedir a passagem dos caminhões. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Matarazzo dará lugar à escola ecológica




São Caetano planeja construir uma escola ecológica na área que pertenceu às antigas Indústrias Reunidas Matarazzo, no bairro Fundação

As ruínas começaram a ser demolidas ontem, e a expectativa é de que os trabalhos sejam concluídos em dois meses. 

Para erguer qualquer tipo de edificação ou utilizar prédios restaurados, a Prefeitura, no entanto, precisa de autorização da Cetesb (Companhia Ambiental de São Paulo), que estuda o nível de contaminação do solo.

A iniciativa está sendo estudada em conjunto com o projeto do Parque Matarazzo, que pode ser erguido sobre o terreno de 18 mil metros quadrados.
Para a implementar a escola de educação ambiental, a Prefeitura pretende preservar parte do prédio. O local também vai servir de memória aos 55 anos de atuação da Matarazzo no bairro. 
"Em parte do prédio vamos investir na restauração. Algumas paredes isoladas também vão permanecer intactas, para contar um pouco da história do Fundação", explicou o prefeito, José Auricchio Júnior, referindo-se ao bairro onde acontece a tradicional Festa Italiana.
A vencedora da licitação foi a empresa ABC Demolidora, que ao preço aproximado de R$ 400 mil vai destruir paredes e colunas da antiga indústria química e reincorporar os escombros ao solo.
O processo, de acordo com o secretário de Obras, Julio Marcucci, é considerado ambientalmente sustentável. Todo o escombro será processado no local, de tal forma que seja possível ser misturado à terra. "É uma ação pioneira na região. A empresa vai garantir que não seja necessário enviar resíduos de construção a aterros sanitários."

Todo o processo será filmado pela equipe da Prefeitura. A demolição sustentável será uma das primeiras atividades educativas que será apresentada aos alunos da nova escola.

A Cetesb permitiu o desmonte das estruturas em março deste ano. O processo recebeu o aval após a constatação de que as paredes das antigas industrias não possuem agentes químicos nocivos à saúde.

MEMÓRIA
 
O novo parque é aguardado desde 2005 por moradores do bairro, principalmente os mais antigos. A população reclama da falta de atenção da Prefeitura ao bairro tradicional, que é separado do restante da cidade pela linha férrea da CPTM (Companhia Paulista de Trens Metropolitanos).
A atendente de cobrança Maria Emilia Testaferrata, 50 anos, cresceu no Fundação e gostou da novidade. Ela reivindica mais opções de lazer na vizinhança. "Quando quero fazer caminhada, vou para a Guido Aliberti, que tem calçada longa e livre", falou.
As Indústrias Reunidas Matarazzo, que fecharam as portas por volta de 1980, faz parte da memória de dona Ana Cassano de Agozio, 76. "Naquela época, os funcionários movimentavam o bairro e existiam muitos mercados e locais para lazer. Hoje estamos um pouco esquecidos", comentou.

Agência avalia estudo de solo encomendado por incorporadora
 A Cetesb informou que recebeu neste semestre estudo sobre toda a área que foi ocupada pelas Indústrias Reunidas Matarazzo, em São Caetano. O levantamento foi feito por uma incorporadora, que detém porção do terreno. A companhia não soube informar quando a análise do laudo deve ser concluída.

Desde 1932, quando se instalou no município, a Matarazzo produziu o pesticida BHC. O uso do químico foi proibido em 1994 no Brasil.

Quando encerrou suas atividades, a indústria passou por processo de desapropriação amigável: os 18 mil metros quadrados foram cedidos à Prefeitura. Hoje, apenas parte da área está nas mãos da empresa. Outro terreno foi adquirido por uma incorporadora, que solicita junto à Cetesb a construção de edificações (a finalidade não foi especificada pela companhia ambiental). "Com o parecer técnico será possível definir o uso dessas áreas ou a necessidade de sua recuperação", informou o órgão estadual.
O parque pleiteado pela Prefeitura será a primeira área de lazer do bairro Fundação. O projeto prevê áreas verdes, pista para caminhada, parques infantis além da escola ecológica. O croqui será apresentado à Cetesb após a demolição das ruínas da Matarazzo.

Fonte: Jornal Diário do Grande ABC- Setecidades- 19/10

  O Observatório Social, mesmo acreditando no laudo que não há contamimantes nessa área, ficará DE OLHO nela!

terça-feira, 19 de outubro de 2010

Mais uma fatura, SUS?





Diz o ditado que entre os males, que seja o menor. Em Paulínia, interior de São Paulo, a administração local pretende transformar o antigo galpão de estrutura metálica onde funcionou a Fundação de Pesquisas e Estudos Sociais e Políticas Públicas, em creche. Boa proposta. Inovam os comandantes de Paulínia. São inúmeros os casos de reutilização de galpões para novos fins.

Um exemplo é o galpão do futuro Poupa Tempo do bairro da Lapa, em São Paulo. Área remanescente da indústria terá enorme valia para os moradores da região oeste paulistana. Só não perguntem a este Observatório se houve investigação preliminar do solo local...

Mas voltando ao caso de Paulínia, a Fundação operou até 2006. Durante este período, foram armazenados no galpão as temíveis bifelinas policloradas. Popularmente conhecidas como Ascarel, ou, óleo elétrico. Composto volátil, as bifelinas policloradas promovem ruptura da Tireóide, além de risco de neoplasias quando inaladas.

A feliz idéia de barrar tal pretenso ato de depositar crianças em ambiente tão insalubre, foi do Ministério Público Estadual após consultar nossos queridos amigos da Companhia Ambiental do Estado de São Paulo sobre o local.

O local é de fácil acesso, assim como a possibilidade de contaminação. No local estão armazenadas as carteiras e cadeiras da pretendida creche. Não há avaliação sobre contaminação deste material. Há possibilidade de ser despachado às associações comunitárias.

A lógica desta história é simples. O resíduo tóxico vem dos transformadores do setor privado - antiga fábrica da CBI/LIX – e depositados em espaço público. Quem pagará a conta?
O Sistema Único de Saúde está calejado com esta lógica. Resta saber se o erário de Paulínia está com tamanha disposição. Neste episódio, dos males certamente será o maior.

Edson Domingues

domingo, 17 de outubro de 2010

Entrevistando Luís Sérgio O. Valentim

                                           Vista de SP- 1930

O Observatório Social " De olho no solo" fez um entrevista escrita com o Arquiteto Luís Sérgio Ozório Valentim, pesquisador da Faculdade  de Arquitetura e Urbanismo - FAU da USP.

Luís Sérgio realizou um levantamento para FAU, apontando a relação entre os eixos históricos de industrialização da Região Metropolitana de São Paulo, a produção de impactos ambientais e a identificação de cenários de risco à saúde da população.

Autor do livro Requalificação urbana, contaminação do solo e riscos à saúde” 
Annablume/FAPESP, 2007








  Leia agora a entrevista feita pelo Observatório Social

Observatório: Fale um pouco sobre sua atividade profissional, sua formação e sobre sua dissertação de Mestrado.
    Luís Sérgio: Formei-me em arquitetura, com especialização em gestão ambiental pela Faculdade de Saúde Pública da USP e doutorado em Planejamento Urbano e Regional pela Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da USP.
    Sou diretor de Meio Ambiente do Centro de Vigilância Sanitária e represento a Secretaria de Estado da Saúde, dentre outros, nos Conselhos Estaduais de Meio Ambiente (Consema) e de Recursos Hídricos (CRH).
    Sou autor do livro “Requalificação urbana, contaminação do solo e riscos à saúde” (Annablume/FAPESP, 2007) e minha pesquisa de doutorado teve por título “Sobre a produção de bens e males nas cidades: estrutura urbana e cenários de risco a saúde em áreas contaminadas na Região Metropolitana de São Paulo”. Trato, em síntese, da natureza estruturalmente desequilibrada das metrópoles e da conseqüente formação de cenários de risco à saúde, tidos como um conjunto de fatores determinantes da saúde considerados a partir de suas localizações e interações. Quem tiver interesse, pode acessá-la no endereço www.teses.usp.br.
    Minhas pesquisas almejam, essencialmente, colaborar para a integração de políticas públicas de saúde, meio ambiente e desenvolvimento urbano.

    Observatório: Qual a região mais crítica, quando se fala em área contaminada em São Paulo?

    Luís Sérgio: As contaminações do solo estão associadas àqueles territórios onde o modelo de desenvolvimento de bases urbanas e industriais se expressou com maior desenvoltura.
     A Região Metropolitana de São Paulo é onde as consequencias desse modelo se mostram mais agudas, concentrando cerca de metade das 2094 áreas atualmente cadastradas como contaminadas no estado.
    Porém, a mancha urbana metropolitana não é homogênea. Apesar dos postos de combustíveis, que representam quase 80% das áreas contaminadas até o momento cadastradas, estarem distribuídos com certa uniformidade nas áreas urbanizadas da RMSP, podemos considerar que a contaminação do solo ocorreu mais intensamente nos eixos radiais historicamente associados à ocupação industrial e à estruturação metropolitana.
    Na pesquisa, eu identifico na metrópole nove eixos mais significativos e outras três zonas setorizadas de industrialização. Entendo que os eixos mais críticos, que encerram maior carga simbólica e que mais representam os dramáticos processos de reestruturação produtiva que ocorrem hoje na RMSP sejam os que denominei na tese como Centro daCapital/Ferrovia Santos-Jundiaí/ABCCentro da Capital/Ferrovias Santos-Jundiaí e Sorocabana/Rodovia Castelo Branco/Osasco. Eles formam um arco envolvendo os rios Tietê e Tamanduateí, com extremidades apontando para os municípios de São Caetano do Sul e Osasco.

      Observatório: Qual sua visão sobre a requalificação de remanescentes do parque fabril paulistano para fins de moradia considerando o exemplo do Condomínio barão de Mauá?

        Luís Sérgio: O Condomínio Barão de Mauá – um conjunto residencial com mais de 50 prédios assentados diretamente em lote antes usado como lixão industrial – é um daqueles momentos infelizes – e exemplares – da nossa história urbana e industrial. Atualmente é pouco provável que um caso como este se repita com tamanha facilidade, pois ao longo destes últimos anos aprimoramos os mecanismos legais e institucionais para evitá-lo.
        A requalificação urbana de áreas com contaminação do solo é outra história. Parte de um conhecimento prévio da situação de contaminação do território é da consciência da importância para a sociedade de pleno uso – social e ambientalmente aceitável – das áreas urbanas.
        Não podemos nos dar ao luxo de desprezar as regiões com histórico de industrialização por tê-las como contaminadas, sob pena de espraiarmos ainda mais a cidade. Muitas dessas áreas são atualmente pouco atraentes pela inviabilidade econômica de remediá-las para um novo uso. Cabem, nesse caso, políticas públicas mais incisivas de desenvolvimento urbano e de regulação de riscos, que induzam requalificações.

        Observatório: Qual o papel da sociedade civil no acompanhamento de manchas contaminadas em São Paulo?
          Luís Sérgio: Só num contexto de plena liberdade, num estado democrático de direito, é que podemos realmente enfrentar as mazelas derivadas de um modelo de produção e consumo historicamente descompromissado com o ambiente. Esse enfrentamento é coletivo e não circunscrito ao poder público. Assim posto, a sociedade civil em geral tem papel importante no tocante às áreas contaminadas.
          Para que a participação social não se circunscreva à indignação exasperada e ao mero denuncismo, é importante fomentar o debate, garantir transparência às políticas públicas e investir em comunicação de riscos.  
          Observatório: Qual sua opinião sobre a operação urbana Lapa – Brás?

          Luís Sérgio: As operações urbanas Lapa/Brás e Mooca/Vila Carioca praticamente coincidem com o arco histórico de industrialização – nas várzeas dos rios Tiete e Tamanduateí – que mencionei anteriormente. Quem se dedica a analisar os processos de contaminação e reestruturação urbana da metrópole tinha expectativas de que fossem promovidas políticas públicas nesse sentido. O Plano Diretor Estratégico do município, de 2002, fundamentou tais políticas e estendeu o olhar, ainda que timidamente, para os passivos ambientais que então emergiam na forma de áreas contaminadas. As operações urbanas são bem vindas, pois anunciam a abordagem das áreas contaminadas a partir de sua inserção no tecido urbano, superando – espero eu – o entendimento desses passivos apenas como frações isoladas e fragmen tadas do território, sujeitas a políticas públicas setorizadas.
            A região – varzeana, de beira-linha – abrangida por essas operações urbanas conta muito da história da cidade. A Vila Carioca – assentada às várzeas do Tamanduateí, no bairro do Ipiranga – foi tema de meu livro sobre requalificação urbana, contaminação do solo e riscos à saúde. Ela esta assentada num território cuja história representa muito bem certo modelo de industrialização e expansão urbana, cujos primórdios datam de mais de século e cujas mazelas passamos a melhor conhecer recentemente.  

            (15/10/10)

             Nós responsáveis pelo Observatório Social " De olho no solo" agradecemos ao Luís Sérgio pela participação em nosso blog, através desta entrevista.
             Parabéns pelo ótimo trabalho Luis Sérgio!
            Érica Sena

            sexta-feira, 15 de outubro de 2010

            Mercúrio em área pública contamina crianças no interior de SP


             Elas levaram para a escola bolinhas de líquido prateado que acharam em terreno perto de casa, em Rosana (SP)

            Crianças de dois e três anos podem ter dano neurológico irreversível e prefeitura recebeu multa; polícia investiga


            Quando Solange Antunes, 30, entrou em sua casa, viu os móveis e o chão cobertos por bolinhas de um líquido prateado que seus filhos de oito e dez anos haviam achado num terreno municipal e derramaram ao brincar.
            Poucos dias depois, no final de junho, eles e os outros quatro irmãos começaram a ter febre, diarreia, vômito e irritações na pele -estavam contaminados por mercúrio.
            As crianças levaram as bolinhas para a escola e ajudaram inadvertidamente a espalhar uma contaminação que expôs mais de cem pessoas no distrito Primavera, em Rosana (748 km de SP).
            Dois dos seis filhos de Solange, Lorraine e Estefane, de dois e três anos, apresentaram o quadro mais grave.
            Ficaram 12 dias internadas, dois meses em casa e, em setembro, foram transferidas para Presidente Prudente e depois para o Hospital das Clínicas da Unicamp, para tratamento adequado, até o último dia 2.
            Elas correm risco de ter danos neurológicos irreversíveis. O mercúrio é tóxico, causa danos ao sistema nervoso e pode ser fatal, se inalado em grande quantidade.
            A família também teve que deixar a casa, interditada.
            O secretário municipal de Saúde, David Rodrigues, diz que, dos 130 exames de pessoas com suspeita de contato, cerca de 50 o apresentaram na urina e, dessas, 12 tiveram um nível "crítico" de mercúrio no sangue e estão intoxicadas. Alguns resultados ainda não estão prontos.

            O terreno onde as crianças acharam cerca de 20 frascos -ou 1,5 kg- de mercúrio metálico numa sacola de lixo era usado como depósito de entulho pela prefeitura.
            Ao procurar saber o que ocorreu, parentes encontraram seringas, luvas e outros materiais de lixo hospitalar, que não poderiam estar ali.

            A área foi interditada pela Cetesb (agência ambiental de SP), que disse que o local era aberto e sem controle de acesso e aplicou multa de R$ 82.116,42 à prefeitura.

            Segundo Rodrigues, a polícia investiga quem despejou os frascos no local inadequado, mas ainda não há pistas. "Pela grande quantidade, é de clínica particular."
            O secretário diz que oito fiscais da Vigilância Sanitária da cidade recolhem lixo hospitalar e o encaminham para a destinação correta.

            Ele afirma que foi feita uma campanha nas escolas da cidade e a prefeitura conseguiu rastrear todas as pessoas que estiveram em contato com o metal tóxico, que foram visitadas e tratadas.


            Fonte: Folha de SP, 15 /10

            quinta-feira, 14 de outubro de 2010

            A mão invisível da fiscalização.




            O Jornal Metro São Paulo na edição de ontem, trouxe reportagem de capa com o título “CET está de olho nas cargas perigosas”. Segundo a reportagem, 65% dos caminhões fiscalizados apresentavam irregularidades. Entre os meses de janeiro e agosto deste ano, afirma a reportagem, 821 caminhões foram fiscalizados, 535 apresentavam irregularidades. Dentre estas irregularidades estão problemas como pneus carecas, ausência de identificação do veículo e vazamentos no tanque de transporte.

            No mês de setembro a Prefeitura de São Paulo, fixou marco regulatório para circulação de caminhões e outros veículos pesados nas marginais, obrigando-os a utilizar o Rodoanel.

            A Comissão Parlamentar de Inquérito das áreas contaminadas na Câmara Municipal de São Paulo, ano 2009, apontou em seu Relatório Final que o Plano de Atendimento de Emergência – PAE, é quesito básico para transporte de produtos perigosos na cidade de São Paulo. O PAE é emitido pela Secretaria do Verde e Meio Ambiente. É preciso ainda a Licença Especial de Trânsito de Produtos Perigosos também emitida por SVMA.

            De acordo com o Relatório Final, a transportadora de porte destas licenças, necessariamente contratará empresa responsável para atendimento em caso de acidente.

            Milhar e Centena na Cabeça!

            O acidente ocorre, quem socorre?

            Como a estrutura das empresas que operam este gentil mercado em geral é incapaz de atender longas distâncias em curto tempo, quem paga conta? Nosotros, ficando a cargo dos heróis do Corpo de Bombeiros fazer o atendimento. Façamos reza brava para que acidentes com resíduos perigosos não aconteçam no Rodoanel, pois naquelas bandas quem fiscaliza é a mão invisível do Estado.

            Edson Domingues & Paulo Rodrigues

            quarta-feira, 13 de outubro de 2010

            Duas Operações, vários Problemas!





            A Prefeitura de São Paulo apresentou neste ano, duas novas Operações Urbanas que certamente alterarão o perfil urbanístico da cidade. Trata-se de apetitosos projetos para o setor imobiliário sob o argumento de geração de emprego, com requintes de planejamento urbano. Parques lineares estão propostos com a reestruturação da orla ferroviária.

            Batizadas como Operação Urbana Brás - Lapa e Operação Urbana Diagonal Sul, ambas tem como foco requalificar o uso do solo. No passado estes desejosos espaços foram ocupados pelo parque fabril paulistano. Nestas áreas, de tudo é possível encontrar em seus subsolos, desde desengraxantes a hidrocarbonetos, de metais pesados até pesticidas.

            Quem não se empolga quando o assunto é Shell Vila Carioca? Ou quando o assunto é Revisão da Operação Urbana Água Branca? A Shell empulha a população de Vila Carioca há anos. Não há previsão para descontaminar o solo no entorno de seu site.

            A Água Branca é vítima de sua própria Operação. Criada pelo Dr. Paulo Salim Maluf, só beneficiou meia dúzia de entendidos e a conta ficou para os desavisados. Tão lesiva ao agradável bairro da zona oeste paulistana, a Água Branca corre sérios riscos. Novo bairro está projetado para o lugar. Se não bastasse, lá esplandecem dois shoppings, uma futura Arena (Palestra), um Hipermercado, Casa de Shows, e dormem quatro torres na memória demolida do antigo Matarazzo. Lá só sobraram Chaminés. Soma-se a isso inúmeros residenciais numa via enfartada.

            Resta-nos esperar a audiência pública, programada para 04 de novembro na Câmara Municipal de São Paulo, para então apontar: descontaminação já!

            Edson Domingues




            De Olho no Solo faz aniversário hoje!

             Hoje, dia 13 de outubro o Blog De Olho no Solo completa 2 meses.

            Mesmo sendo um bebê na blogosfera , já vem tirando o sono de muita gente, principalmente daqueles que sabem o que deixaram para trás no solo onde passaram!

             Nós do Observatório Social " De olho no solo" agradecemos aos nossos amigos leitores todo voto de confiança dado e todas palavras de incentivo.E prometemos a vocês que continuaremos sempre DE OLHO, em prol de um vida saudável e de respeito ao meio ambiente

                Edson, Érica e Paulo ( Observatório social)



             
             Eu, Érica Sena, aproveito para agradecer ao Edson e Paulo a possibilidade de compartilhar essa fatia de bolo com vcs e parabenizar pelo trabalho idealizado.
            abs,
            Érica Sena



               

            sábado, 9 de outubro de 2010

            LIXO IMPORTADO x LIXO TÓXICO DA COFAP NO BARÃO DE MAUÁ


            TRECHOS DE MATÉRIAS DA JOVEM PAN ON LINE E SPTV DA GLOBO SOBRE O LIXO IMPORTADO DA INGLATERRA E UMA COMPARAÇÃO COM OS RESÍDUOS TÓXICOS DEPOSITADOS ONDE HOJE É O CONDOMÍNIO BARÃO DE MAUÁ- Trupel (2009)

             Muito bom o vídeo Trupel!!
            Parabéns!
            Érica Sena


            Araraquara se destaca na lista de áreas contaminadas de SP

            Na região de Ribeirão Preto, Araraquara é a cidade com maior número de áreas de risco: 18, sendo 16 postos. São Carlos vem logo atrás, com 17 e Ribeirão com 12 áreas contaminadas. Em toda a região somam-se 84 dessas áreas, três a mais que há seis meses. A Cetesb avalia baseada na situação que havia em novembro de 2009. 

             Assista o vídeo abaixo

            sexta-feira, 8 de outubro de 2010

            De Olho no Solo também fala de Sustentabilidade


            Tivemos a honra hoje de receber um recado de Leonardo Machado (Coordenador de Novas Mídias do Canal Futura), com a sugestão de divulgar uma nova série de animação que fala sobre consumo consciente e sustentabilidade.
             Esta série de 10 episódios ,chamada CONSCIENTE COLETIVO estreou no dia 8 de setembro no Canal Futura.
             5 dos 10 episódios estão disponíveis  no site do Canal Futura . Assista aqui, no DE OLHO NO SOLO, o episódio 1 da série e acompanhe os outros  no Canal Futura.


            Fonte: CANAL FUTURA

            O Olho de vidro de Kasinski.





            A vilã do Caso Barão de Mauá, Cofap, teve durante anos em sua direção Abraham Kasinski. Seu império foi repassado para a Fiat. Seu passivo ambiental deixado em Mauá foi empulhado para os desprovidos.

            Kasinski é mesmo daqueles que não esquecemos. Adora uma piada, uma anedota. Em novembro de 97, a Revista Veja relatou sua paixão pelas anedotas. Sua preferida é aquela do cliente que vai ao banqueiro e pede um empréstimo. O Banqueiro responde que concederia o maço desde que o cliente descobrisse qual era o seu olho de vidro. O cliente desanimado diz que é muito fácil, pois é o único olho em que se vê alguma humanidade.

            Kasinski não tem olho de vidro, mas há um olhar de desprezo pelas famílias do Barão de Mauá. Atolados num mar de contaminantes, a conta de Kasinski vai brotar no Sistema Único de Saúde. O velho e bom SUS já herdou uma herança maldita com nome Shell Vila Carioca. 
             Apesar de ter o nome Carioca, essa vila se encontra em São Paulo, e seu caso é famoso no mundo inteiro.

            Se Kasinski aprendeu a lição, precisa combinar a milhar e centena nas instâncias superiores, pois a fila é grande. Os olhos do SUS não são de vidro, mas Kasinski é apaixonado por piadas de mau gosto.

            Edson Domingues & Paulo Rodrigues, 08/10

            quinta-feira, 7 de outubro de 2010

            Crianças e idoso sofrem mais com a contaminação!

            Chumbo matou 400 crianças na Nigéria, diz ONU.


            Mineração ilegal de ouro no Estado de Zamfra também teria contaminado pelo menos 18 mil nigerianos desde o início do ano




            A Organização das Nações Unidas (ONU) informou ontem que mais de 400 crianças menores de 5 anos morreram desde março pelo envenenamento por chumbo no norte da Nigéria, o dobro do anunciado no mês passado. A ONU estima que 18 mil pessoas podem ter sido afetadas pelo produto químico na região. A intoxicação foi causada pela mineração ilegal de ouro no Estado de Zamfara.

            Segundo Elizabeth Byrs, porta-voz do Departamento de Coordenação dos Assuntos Humanitários da ONU (Ocha), o número de mortes tem como base os relatórios da agência humanitária Médicos Sem Fronteiras (MSF). Segundo a ONG, outras 500 foram atendidas nos quatro consultórios da MSF. El-Shafi Muhammad Ahmad, coordenador do MSF em uma das cidades da região, o número de mortos pode ser muito maior, já que muitos casos não são registrados, como a contaminação de nigerianos com mais de 5 anos.

            Grande parte da população não informa sobre os novos casos de contaminação porque “tem medo de não poder continuar com a atividade”, que foi proibida na semana passada pelo governo nigeriano após a informação sobre as mortes.

            O envenenamento foi descoberto no início do ano durante o programa de imunização anual, quando os médicos perceberam que a maioria das crianças da região estava morrendo; algumas vilas não tinham crianças com menos de 5 anos. Os moradores disseram que as mortes foram causadas pela malária, mas os exames de sangue feitos pelo MSF apontaram a contaminação por produtos químicos.

            O minério garimpado nas redondezas é levado aos vilarejos para processamento adicional, trabalho que com frequência é feito por mulheres e crianças pequenas. Os produtos químicos contaminaram o solo, a água e os que inalaram as partículas de poeira.

            Uma missão de avaliação da ONU descobriu que o abastecimento de água em quatro das cinco aldeias visitadas foi contaminado por níveis elevados de chumbo. As concentrações de mercúrio no ar também foram elevadas nas cinco aldeias, cem vezes superior ao índice estabelecido pela Organização Mundial de Saúde (OMS).

            Pobreza

            A busca por ouro, em cujas jazidas se encontram também minerais como chumbo, cobre e mercúrio, é uma fonte de renda primordial para a população destas localidades. A busca pelo ouro artesanal dá maiores rendimentos que a agricultura. Um grama de ouro é vendido a 3.500 nairas (US$ 26), enquanto 50 kg de milho valem 6.000 nairas (US$ 45).

            Além da mineração, o roubo de gasolina dos oleodutos que escoam a produção das refinarias para os portos virou uma indústria no país. Desde 2000, cerca de 1.500 pessoas morreram na explosão de dutos, que é provocada tanto por perfurações acidentais ou após moradores tentarem roubar petróleo.

            A poluição causada pelos vazamentos de petróleo também castiga o país, o maior exportador do combustível do continente. Pelo menos 2 bilhões de litros vazaram no Delta do Níger nos últimos 50 anos, onde crianças nadam e a população vive normalmente.

            Fonte: Agência do Estado- 06/10 

            O OBSERVATÓRIO SOCIAL " De olho no solo" tem como área de pesquisa do Estado de SP, mas em alguns casos teremos que divulgar notícias fora desse campo de estudo. O objetivo disso é mostrar  que esse descaso das indústrias com o solo, e com os seres que o habitam é um problema MUNDIAL, além de nos servir como exemplos para não deixarmos que isso ocorra por aqui.